Toffoli suspende reintegração de 103 servidores contratados sem concurso em Ilhéus

Toffoli suspende reintegração de 103 servidores contratados sem concurso em Ilhéus

Presidente do Supremo destacou que 'a regra do concurso público tem sido protegida de maneira firme' pela Corte e, nesse sentido, entendeu que deve prevalecer a regra do artigo 37 inciso II e parágrafo 2º da Constituição Federal

Pepita Ortega

11 de junho de 2019 | 12h09

O ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Dida Sampaio/Estadão

O presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, suspendeu decisões da Justiça da Bahia que determinaram a reintegração de funcionários contratados sem concurso em Ilhéus. Ao analisar o pedido do município baiano na Suspensão de Liminar (SL) 1215, o ministro aplicou ‘entendimento pacífico da Corte’ no sentido de que o descumprimento da regra do concurso público, estabelecida na Constituição Federal de 1988 (artigo 37 inciso II e parágrafo 2.º), ‘configura lesão à ordem pública’.

As informações foram divulgadas no site do Supremo.

Na instância de origem, candidatos aprovados em concurso público realizado em 2016 para os quadros do município ajuizaram ação popular alegando ‘impedimento de suas nomeações diante da manutenção de servidores que ingressaram sem concurso público entre 5 de outubro de 1983 e 5 de outubro de 1988’.

O pedido foi julgado parcialmente procedente para determinar o desligamento imediato de todos os servidores que ingressaram antes de 1988 e que não atendiam ao que estabelece o artigo 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT).

O dispositivo prevê que servidores públicos que estivessem em exercício na data da promulgação da Constituição de 1988, há pelo menos cinco anos continuados – antes de 5 de outubro de 1983 -, não admitidos por concurso, seriam considerados estáveis no serviço público.

Em cumprimento à sentença, foi expedido o Decreto 128/2018 a fim de convocar os aprovados no Concurso Público 2/2016 e determinar o desligamento provisório dos servidores sem estabilidade.

Ilhéus. Foto: Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Ilhéus

Contra essa decisão, 103 servidores desligados recorreram ao Tribunal de Justiça da Bahia e obtiveram medida cautelar, suspendendo a execução de parte da sentença.

Na sequência, o município apresentou suspensão de liminar no Superior Tribunal de Justiça, mas o pedido teve o trâmite rejeitado naquela Corte sob o fundamento de que a controvérsia apresentava caráter constitucional, o que levaria à competência do STF para análise do caso.

Em seguida, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia protocolou pedido de suspensão de execução de sentença junto à Presidência do Tribunal de Justiça da Bahia, que deferiu medida liminar, no dia 15 de abril passado, suspendendo a integralidade dos efeitos da sentença questionada.

Segundo o presidente do Tribunal de Justiça, a sentença que determinou o imediato afastamento de todos os servidores admitidos antes da Constituição Federal de 1988 ‘viola o interesse público, causando grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia pública do município de Ilhéus’.

Ele entendeu que ‘tais decisões têm alto potencial de causar grave lesão à ordem administrativa e orçamentária’.

Decisão

No Supremo, Toffoli destacou que a regra do concurso público tem sido protegida de maneira firme pelo Supremo ‘como decorrência direta da isonomia e moralidade que devem pautar a formação de vínculos com a Administração Pública’.
O relator entendeu que deve prevalecer a regra prevista no artigo 37 inciso II e parágrafo 2.º da Constituição.

Segundo o ministro, o artigo 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ‘não pode ser interpretado de forma ampliativa, assim como o decurso de tempo não é motivo para a permanência irregular dos servidores no cargo público após o advento da Constituição Federal 1988’.

“Situações flagrantemente inconstitucionais não são passíveis de consolidação na ordem jurídica”, salientou o ministro.

Ele observou que em ‘situações excepcionais’ é possível a concessão de prazo ao ente público para a regularização da situação com realização de concurso e nomeação de novos servidores a fim de que seja preservado o funcionamento da máquina administrativa.

Toffoli observou que no caso dos autos o município não requereu a concessão do prazo, ‘ao contrário, deseja implementar o comando da sentença, apontando que tal medida é necessária para ajustar seus gastos aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal’.

Ao suspender as decisões questionadas, o ministro observou que Ilhéus, ‘no cumprimento da sentença, pode conceder aos servidores desligados a oportunidade do contraditório a fim de, eventualmente, demonstrar que não se enquadram na situação descrita na sentença ou que possuem outros direitos (que não a manutenção do vínculo) a serem assegurados a eles em função do tempo em que exerceram o cargo público’.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE ILHÉUS

A reportagem tenta contato com a Prefeitura de Ilhéus. O espaço está aberto para manifestações.

COM A PALAVRA, O SINDICATO DE TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA

A reportagem tenta contato com o Sindicato. O espaço está aberto para manifestações.

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