Toffoli se reúne nesta semana com Mário Bonsaglia, 1º colocado de lista tríplice da PGR

Toffoli se reúne nesta semana com Mário Bonsaglia, 1º colocado de lista tríplice da PGR

Conforme informou na última segunda-feira (5) o 'Estado', parte dos ministros do Supremo faz campanha nos bastidores para influenciar o presidente Jair Bolsonaro a dar um segundo mandato à procuradora-geral da República, Raquel Dodge

Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

06 de agosto de 2019 | 22h20

Mario Bonsaglia. FOTO: AMANDA PEROBELLI/ESTADÃO

Brasília, 06/08/2019 – Na reta final da escolha do nome de quem vai chefiar a Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos próximos dois anos, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, deve se reunir nesta semana com o subprocurador-geral Mário Bonsaglia, segundo o Estadão/Broadcast apurou. Bonsaglia foi o primeiro colocado da lista tríplice entregue pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) ao presidente Jair Bolsonaro, a quem cabe fazer a indicação do nome.

Conforme informou na última segunda-feira (5) o Estado, parte dos ministros do Supremo faz campanha nos bastidores para influenciar o presidente Jair Bolsonaro a dar um segundo mandato à procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Ao mesmo tempo, o presidente tem intensificado o contato com o subprocurador-geral Augusto Aras, que despontou como um dos cotados para o cargo.

Raquel encerra seu mandato no dia 17 de setembro e é descrita por apoiadores no Supremo e no Congresso como o melhor nome para dar estabilidade institucional, enquanto Aras ganhou pontos com Bolsonaro ao demonstrar alinhamento com a pauta de reformas do governo.

Em entrevista ao Estado publicado nesta terça-feira, Bolsonaro disse que que não pretende indicar um “xiita” da questão ambiental nem das minorias para o cargo. Quando assumiu o cargo, em 2017, Raquel colocou a defesa do meio ambiente e dos direitos humanos como suas prioridades.

Um terceiro nome ganhou força na disputa: o do subprocurador-geral Paulo Gustavo Gonet Branco. Católico e conservador, ele é amigo do ministro Gilmar Mendes. Os dois foram sócios no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).

Segundo auxiliares de Bolsonaro, da lista tríplice formada em votação da categoria de procuradores, o único que ainda pode ter chances é Mário Bonsaglia – os outros nomes são Luiza Frischeisen e Blal Dalloul.

Um outro nome que passou a ser ventilado nos bastidores é o do subprocurador José Bonifácio Borges de Andrade, ex-número 2 de Rodrigo Janot.

Tradição. A tradição da lista tríplice da ANPR começou em 2001, quando foi ignorada por Fernando Henrique Cardoso (PSDB) – FHC optou por reconduzir Geraldo Brindeiro para o cargo.

De lá pra cá, a lista começou a ser acatada em 2003, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu o primeiro colocado para chefiar o Ministério Público Federal. A tradição foi mantida por Dilma Rousseff (PT).

Ao escolher Raquel Dodge para chefiar o MPF há dois anos, o então presidente Michel Temer (MDB) optou pelo segundo nome mais bem colocado da lista – o primeiro havia sido o do subprocurador Nicolao Dino, aliado de Rodrigo Janot, que havia denunciado o emedebista por corrupção passiva no caso JBS.

Bolsonaro já disse que “tudo é possível” na escolha do futuro procurador-geral da República.

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