Toffoli diz que Supremo ficou ‘chocado’ com caso Delcídio

Toffoli diz que Supremo ficou ‘chocado’ com caso Delcídio

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral afirmou que seu sentimento foi de 'tristeza'

Valmar Hupsel Filho

27 Novembro 2015 | 19h45

Dias Toffoli. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Dias Toffoli. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse que seus colegas da Corte ficaram “chocados” com a revelação da gravação em que o senador Delcídio Amaral (PT-MS) disse ter conversado com os magistrados para viabilizar a libertação do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró. Toffoli disse que seu sentimento pessoal foi de ‘tristeza’ quando soube que seu nome foi citado pelo petista como um dos interlocutores.

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“Ficamos chocados com essa informação”, disse o ministro pouco antes de participar do encerramento de um seminário promovido pela Associação dos Advogados de São Paulo. “O sentimento é de tristeza porque estamos sujeitos a este tipo de pessoas, desse tipo de atitude, que se gabam de fazer algo que não fez”, completou.

O ministro afirmou que a prisão dos envolvidos na suposta trama para barrar a Lava Jato foi a resposta do Supremo.

“A decisão da prisão já é uma resposta a este tipo de atitude”. Toffoli disse que ‘é comum’ a conversa entre ministros do Supremo e parlamentares para discussões em torno de temas relevantes à sociedade. “Fui várias vezes tratar de reforma política no Senado e na Câmara em audiências públicas”, exemplificou.

“Isso faz parte do dia a dia de um juiz. É importante ficar claro que o juiz é talhado e tem todas as defesas da inamovibilidade e vitaliciedade exatamente para ser independente”, completou.

O ministro afirmou que foi informado sobre a gravação que resultou na prisão de Delcídio pelo ministro Teori Zavaski, relator no Supremo dos processo s ligados à Operação Lava Jato, após a sessão ordinária da Segunda Turma do STF. “Ele nos esclareceu que estava com aquele pedido (de prisão do senador, do banqueiro André Esteves e outras duas pessoas) e decidimos em conjunto.

No dia seguinte referendamos, reunindo se abertamente na quarta-feira pela manhã”, relatou. Sobre o destino do senador Delcídio Amaral, Toffoli disse que ele certamente será alvo de investigação e um eventual processo. “Por enquanto o que se decidiu foi pela prisão, e o relator por fazer algumas diligências a respeito do processo, como buscas e apreensões no gabinete do senador.

A eventual denúncia que for apresentada vai ser julgada e aí vamos aguardar a ampla defesa e julgar o processo. Não vou adiantar posicionamento, disse. Toffoli ponderou que as declarações do seu colega, ministro Gilmar Mendes que pela manhã, no mesmo evento, citou a prisão de Delcídio para afirmar que “agora sabemos o que eles são capazes de fazer para ganhar a eleição’.

Segundo o presidente do TSE, a análise de Mendes é restrita ao caso de Delcídio. “As questões colocadas ali, neste caso do Delcidio Amaral, só dizem respeito à pessoa dele. Ali o que está em julgamento é ele e as pessoas que estavam com ele na tentativa de interferir numa investigação criminal. É isso que vai ser apurado”, concluiu.