“Todos violam a democracia”, diz João Santana sobre caixa 2 em campanhas eleitorais; assista ao depoimento

“Todos violam a democracia”, diz João Santana sobre caixa 2 em campanhas eleitorais; assista ao depoimento

Em delação premiada, o marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas petistas à Presidência da República em 2006, 2010 e 2014, afirmou que 99,9% das campanhas são financiadas com caixa 2

Rafael Moraes Moura, Breno Pires, Bernardo Gonzaga, Deivlin Vale* e Liana Costa / BRASÍLIA

12 de maio de 2017 | 14h30

Foto: Reprodução

Em depoimento ao Ministério Público Federal, o marqueteiro João Santana disse que todas as campanhas eleitorais feitas no País usam caixa 2 e “violam a democracia”. “As campanhas no Brasil são fortemente financiadas dessa forma: caixa 2. Não há uma só campanha no Brasil, vamos dizer, 99,9%, e não há um único marqueteiro, eu imagino, que não tenha sido obrigado ou que não recebeu. Não que isso nos isente”, disse João Santana em sua delação premiada.

O marqueteiro foi responsável pelas campanhas do PT à Presidência da República em 2006, 2010 e 2014. João Santana disse em depoimento que sempre pressionou para que o seu pagamento oficial fosse o mais próximo da realidade.

“Não pra dizer que eu ajudei a sanear esse mercado, mas a minha pressão pra ser o pagamento ser o mais próximo da realidade ajudou isso também”, disse o marqueteiro.

Santana reconheceu que se os marqueteiros não topassem o esquema de caixa 2, as campanhas seriam mais limpas, honestas e democráticas.

VIOLAÇÃO. Questionado se o caixa 2 não torna a competição mais desigual, principalmente quando se trata de uma campanha à reeleição, o marqueteiro respondeu:
“Torna desigual, mas todos violam a democracia. Pequenos e grandes, cada um da sua maneira. E se associam pra violar. É uma prática generalizada o caixa 2.”

Nesta sexta-feira (12), o Supremo Tribunal Federal (STF) os vídeos dos depoimentos do acordo de delação premiada de Santana e sua mulher, Mônica Moura, para a Lava Jato. A delação foi homologada pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte.

*Sob supervisão de Fausto Macedo.

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