Todos querem explicações e não deboche, diz OAB sobre propinas em Mato Grosso

Todos querem explicações e não deboche, diz OAB sobre propinas em Mato Grosso

Imagens de pagamentos milionários em dinheiro vivo a políticos, segundo delação premiada do ex-governador Silval Barbosa, levam presidente da Ordem dos Advogados no Estado a declarar que 'subestimam a inteligência do povo'

Luiz Vassallo e Julia Affonso

30 Agosto 2017 | 05h00

Foto: Reprodução

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil/Seccional Mato Grosso, Leonardo Campos, cobrou enfaticamente nesta terça-feira, 29, explicações sobre o escândalo da propina, revelado na delação premiada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) que gravou políticos socando dinheiro vivo em mochilas, malas, caixas, bolsos e bolsas.

“O que deveriam ser explicações não convencem, pior, debocham da cara da sociedade e algumas ainda ousam subestimar a inteligência do povo”, afirmou.

A ‘delação monstruosa’, como a classificou o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, que homologou a colaboração de Silval, provocou forte impacto, principalmente em Mato Grosso.
“Vem deixando a população estarrecida dia após dia conforme a divulgação sistemática de seu conteúdo na imprensa”, argumenta Leonardo Campos.

Na semana passada, a OAB/Seccional Mato Grosso protocolou junto ao STF o pedido para levantamento do sigilo da delação de Silval.

“Uma das motivações é justamente o fato de que, tendo em vista que o que já vinha sendo noticiado até então, envolvendo ministro, senadores, deputado federal, deputados estaduais, prefeitos, conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, ex-parlamentares, servidores públicos e empresários, e em atenção aos princípios da ampla defesa e contraditório, da publicidade e do acesso à informação, os acusados teriam a possibilidade de vir a público prestar as devidas explicações para a sociedade.”

Já foram instaurados pelo STF sete inquéritos para investigar os supostos crimes apontados por Silval.

“Mais do que nunca, nesse estado degradante de desqualificação moral que vive a classe política, é imprescindível que a população assuma seu papel de fiscal também”, destaca o presidente da Ordem. “Temos que cobrar de todas as entidades cabíveis que instaurem os procedimentos necessários para apuração da verdade e devida punição dos culpados.”

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