Todo mundo quer viajar no pós-pandemia. Que tal se planejar financeiramente para isso?

Todo mundo quer viajar no pós-pandemia. Que tal se planejar financeiramente para isso?

Tatiana Schuchovsky Reichmann*

23 de outubro de 2021 | 08h00

Tatiana Schuchovsky Reichmann. FOTO: DIVULGAÇÃO

Segundo uma pesquisa realizada recentemente pelo SEBRAE, os brasileiros estão ansiosos para voltar a viajar. Cerca de 70% dos entrevistados afirmaram que desejam celebrar a retomada com uma viagem especial, enquanto 50% declararam que querem viajar com mais frequência pós-pandemia. É um resultado previsível, levando em consideração tudo pelo o que passamos, porém alguns fatores merecem ser observados.

Do ponto de vista comportamental, o estudo indica que há um anseio por viagens mais longas e não pelos populares “bate-volta”, o que, consequentemente, implica em gastos maiores. Vale ressaltar que as passagens aéreas foram um dos itens que mais pressionaram o IPCA-15, com aumento médio de 28,76% no mês de setembro, resultado direto da alta do dólar e dos combustíveis. E esse é apenas um exemplo típico de que o planejamento financeiro nunca foi tão necessário.

Gastos com lazer que tendiam a ser vistos como supérfluos – como viagens, passeios ou entretenimento – hoje são determinantes no sentido de promover um impacto positivo na saúde mental das pessoas. Porém, assim como acontece com os planos da casa própria, do carro novo ou da pós-graduação, eles também só se tornam factíveis com planejamento, ainda mais no momento em que a situação econômica do país é incerta.

Somos acostumados, ou melhor, moldados pelo curto prazo, sobretudo no que diz respeito às nossas finanças. Isso fica bastante evidente quando nos debruçamos nos números. Uma pesquisa recente da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) com 3.400 pessoas economicamente ativas em todas as regiões do país constatou  que 55% dos entrevistados não guardaram nenhum dinheiro em 2020 e tampouco contavam com reservas.

A pandemia desorganizou a vida financeira de muita gente com despesas inesperadas ou perda de emprego, mas ela nos confrontou também com a urgência da organização financeira. Há, no entanto, um paradigma que precisa ser quebrado. Como a maioria absoluta das pessoas é remunerada com base em um salário mensal, o desdobramento mais comum é procurar pagar primeiro todos os custos fixos, em seguida, focar nos gastos flexíveis e, só por último, investir em um projeto futuro. Pode parecer contraditório à primeira vista, mas o caminho ideal deveria ser justamente o inverso, ou seja, colocar o investimento em primeiro lugar.

É claro que uma reviravolta financeira como essa não pode ser feita do dia para noite, mas ela é plenamente possível se, de fato, for um norte ou um horizonte a ser perseguido. E nada melhor do que um motivo ou um objetivo que nos faça correr atrás.

Um produto que tem em sua essência a característica do planejamento financeiro é o consórcio.  Se na sua concepção, há 60 anos, ele era visto como meio para se adquirir bens de consumo, hoje ele pode ser usado, por exemplo, para viagens, festas, cursos e uma diversa gama de serviços. Não por acaso, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), foi registrado um salto de 58% nos créditos comercializados de janeiro a agosto deste ano em comparação com o mesmo período de 2020.

Poupar por poupar pode ser difícil, mas o sonho de uma viagem em família de dez ou 15 dias para relaxar e se divertir é um empurrão e tanto, não?

*Tatiana Schuchovsky Reichmann, CEO da Ademicon

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