‘Tivemos Mensalão e Lava Jato, mas rigor da lei caiu sobre Maluf’, diz Kakay

‘Tivemos Mensalão e Lava Jato, mas rigor da lei caiu sobre Maluf’, diz Kakay

Advogado pede a manutenção da prisão 'domiciliar humanitária' para deputado federal que cumpre pena de 7 anos, 9 meses e 10 dias por lavagem de dinheiro

Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo/ BRASÍLIA

18 de abril de 2018 | 16h08

Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, é advogado da ex-governadora Roseana Sarney. Foto: Ed Ferreira/Estadão

BRASÍLIA – O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse nesta quarta-feira (18) que a decisão do ministro Dias Toffoli de mandar o deputado federal afastado Paulo Maluf (PP-SP) para prisão domiciliar “salvou a vida do paciente”.

Em 28 de março deste ano, Toffoli atendeu a um pedido da defesa de Maluf e colocou o parlamentar em prisão domiciliar. Maluf estava encarcerado desde o dia 20 de dezembro na ala de idosos do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

“Esse deferimento com responsabilidade e autoridade veio a salvar o ora paciente. Essa decisão (de Toffoli) tomada com toda a seriedade salvou a vida do paciente. Pra mim, o bem protegido mais valioso é a liberdade, mais até do que a vida. Eu gosto da frase de Cervantes, na voz de Dom Quixote, ‘pela liberdade e pela honra, se deve arriscar a própria vida’”, comentou Kakay.

Kakay destacou em sua fala a “absoluta falta de condições de presídios de tratar um homem de 86 anos”.

“Ele está com metástase, ele está perdendo a única visão que tem. Essa é a situação dramática pela qual passa o paciente (Maluf)”, ressaltou Kakay.

SURPRESA. Kakay afirmou ter ficado “surpreendido” com a decisão do ministro Edson Fachin, que em 19 de dezembro do ano passado determinou o imediato início da execução da pena imposta a Paulo Maluf, condenado pela Primeira Turma da Corte a 7 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão em regime inicial fechado.

“Fomos realmente surpreendidos, quando Vossa Excelência (dirigindo-se a Fachin) no dia 19 de dezembro, determinou o arquivamento (da ação), o trânsito em julgado e a prisão por um crime cometido há 20 anos. Tivemos mensalão. Lava Jato –  Doutor Paulo não é citado na Lava Jato – , no entanto o rigor da lei caiu sobre ele”, criticou Kakay.

“Vossas Excelências podem muito, mas é bom que não possam tudo. Voto monocrático não é absoluto. Uma decisão monocrática pode ser errada, sim”, concluiu Kakay. (Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo)

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