‘Timing’ leva tempo

‘Timing’ leva tempo

Cassio Grinberg*

16 de julho de 2019 | 06h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Voltei recentemente de uma viagem na qual palestrei para empresários em Israel. No país que registra mais patentes do que a soma de Rússia, Índia e China, escutei de empreendedores e startupists (termo que eles utilizam) a afirmação de que timing é mais importante do que funding – e, muitas vezes, do que a própria ideia em si. Mas timing leva tempo.

É atribuída ao multicampeão de golfe Tiger Woods a famosa frase ‘quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho’ e, se considerarmos que sorte, assim como timing, é a soma de preparação com oportunidade, podemos concluir não apenas que precisaremos de tempo para estarmos preparados (e de energia, suor, persistência, alguns erros), mas também para estarmos atentos em conduzir essa preparação para a direção onde queremos chegar.

Porque timing é, principalmente, planejamento: definir o destino e deixar o Waze ligado, na medida em que a disrupção vem menos de uma maçã caindo em cabeça dormente do que do insight que recompensa o esforço de quem pensa fazendo. Principalmente quando faz com propósito.

Kevin Systrom e Mike Krieger tiveram o insight de adicionar filtros na ferramenta que permitia às pessoas fazerem o upload de fotos. Mas não teriam tido a ideia que escalou o Instagram se já não estivessem, há algum tempo, planejando unir a tendência da instantaneidade ao fato de que, com o iPhone e qualidade crescente das câmeras, agora as pessoas passavam a ser verdadeiros fotógrafos de bolso. Bastava um device que lhes estimulasse a isso.

Jenn Hyman, fundadora da Rent The Runway, não chegou em Diane Von Ferstenburg e a convenceu a ceder sua marca para aluguel de pret-a-porter porque a estilista achava que era o time para isso. Pelo contrário: foi a persistência da empreendedora em invadir o escritório da estilista quando ela telefonara cancelando a reunião de pitch que a fez pensar: se essa menina acredita tanto, será que não vale dar uma chance?

Timing, portanto, fala menos em estar no lugar certo e na hora certa por acaso do que em construir, com resiliência e crença, esse lugar e essa hora. Afinal de contas, leva tempo para se tornar um sucesso da noite para o dia. Seja em Israel, Rússia, Índia, China ou mesmo no Brasil.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting

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