The american (hard) dream

The american (hard) dream

Georgios Frangulis*

20 de agosto de 2020 | 04h00

Georgios Frangulis. FOTO: DIVULGAÇÃO

O ano era 2016 e após uma série de tentativas profissionais, desde advocacia até construção civil, meu dinheiro acabou. Passei mais de quatro anos entre idas e vindas aos Estados Unidos e posso afirmar que é muito fácil “achar fácil” empreender em território americano. O mercado é dinâmico,abre-se uma empresa em minutos, contratações simples e desburocratizadas, impostos pagos sobre o lucro efetivo (não sobre faturamento) e crédito quase sempre muito barato. Tantas vantagens assim são ótimas, certo? Nem sempre.

Quando as facilidades são tantas o impulso inicial para tirar uma ideia do papel é mais simples, com isso: mais tranquilidade para empreender, mais gente no mercado, mais concorrência e qualidade.Bons sinais para o consumidor, que terá uma guerra para ser atendido,nem tanto para o empreendedor, que será apenas uma das partes no meio dessa guerra.

Em outra realidade, temos o Brasil, pintado como o inferno para os empreendedores: burocratizado, alta carga tributária, insegurança jurídica e relações trabalhistas complexas. Isso é ruim, certo? Nem sempre.

As dificuldades prévias acabam criando o efeito contrário do que percebe-se no mercado americano. São dificuldades que fazem com que a maioria das ideias não saia sequer do papel. Menos concorrência traz consigo menos qualidade. Sinais ruins para o consumidor, que será atendido com menos cuidado; nem tão ruins para o empreendedor que terá mais espaço no mercado.

Não tenho certeza se a explicação ficou clara o suficiente, mas em resumo: As facilidades para empreender nos Estados Unidos, os transformam no mercado mais competitivo do mundo enquanto as dificuldades em empreender no Brasil, o transforma em um dos mercados mais espaçosos e rentáveis do mundo.

Escrevo tudo isso para fazer um pedido, quase um apelo. Precisamos parar de vender o Brasil como o inferno dos empreendedores e o país do fracasso certo para quem arrisca. É fundamental valorizar o Brasil como valorizamos os Estados Unidos.

Há uma grande chance em nossas mãos. Imaginem um país em que o empreendedor tenha a confiança do mercado americano e o espaço do mercado brasileiro. Teríamos uma janela de várias décadas de crescimento acelerado. Passaríamos então a filtrar pela competência e não mais pelo medo de agir.

Boas ideias morrem antes de sair do papel no nosso país e nós somos os culpados por essa morte prematura. Empreenda no Brasil, aproveite as oportunidades e o fim do rentismo. Se existe alguma vantagem em uma crise como essa, é o potencial de mudar radicalmente o prisma por onde enxergamos um mercado tão complexo, mas tão simples.

*Georgios Frangulis, fundador e CEO da OAKBERRY Açaí Bowls

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