Testemunha protegida revela que funcionários da Câmara de Carapicuíba ‘trituraram’ provas

Testemunha protegida revela que funcionários da Câmara de Carapicuíba ‘trituraram’ provas

Relato secreto da Pasta Vazia, operação do Ministério Público Estadual que prendeu cinco vereadores do município da Grande São Paulo, mostra que documentos inutilizados encheram dois sacos de lixo de 100 litros

Julia Affonso e Mateus Coutinho

24 Agosto 2016 | 12h23

Elaine Pereira

A secretária adjunta da obras de Carapicuíba Elaine Pereira, também presa pela Justiça.

Testemunha protegida da Operação Pasta Vazia revelou ao Ministério Público do Estado que funcionários da Câmara do município de Carapicuíba, na Grande São Paulo, trituraram provas por cerca de duas horas por ordem de vereadores sob suspeita de envolvimento no esquema de contratação de servidores públicos sem concurso.

A testemunha afirmou que os documentos inutilizados encheram dois sacos de lixo de aproximadamente 100 litros cada.

A Justiça mandou prender cinco vereadores, todos da Coligação ‘União por Carapicuíba’- um deles, Paulo Xavier (PSDB) já estava preso desde maio, por outra investigação; quatro foram capturados nesta terça-feira, 23: Jefferson Macêdo (PSDB), Elias Cassundé (PPS), Carlos Japonês (PPS) e Nenê Crepaldi (PPS), durante ofensiva da Polícia na sede do Legislativo municipal.

Jefferson Macêdo

Jefferson Macêdo

A Promotoria afirma que os vereadores e outros denunciados ‘instituíram verdadeiro projeto criminoso de poder, buscando perpetuarem-se na Administração Pública Municipal, mediante o controle da máquina estatal, sem utilizar a força’.

A testemunha oculta disse, ainda, que os computadores dos gabinetes dos vereadores ‘foram formatados, sem determinação do setor técnico da Casa’.

Elias Cassunde

Elias Cassunde

Para a juíza Danielle Granditnetti, que decretou a prisão dos vereadores acolhendo pedido do Ministério Público do Estado, os procedimentos revelados pela testemunha indicam que os políticos investigados na Pasta Vazia tinham objetivo de eliminar provas e obstar a investigação.

A mesma testemunha, que deu origem à grande investigação, contou que ‘sente medo’. Ela declarou que ‘está sendo perseguida’. Um dos vereadores, Jefferson Macêdo (PSDB), a fotografou. Para a juíza isso revela ‘possível coação’.

Nenê Crepaldi

Nenê Crepaldi

As promotoras de Justiça Camila Moura e Silva e Sandra Reimberg, do Ministério Público Estadual, sustentam que ‘cada vereador tinha uma cota para indicação de pessoas, chamada por eles de ‘Pasta do Vereador’.

A burla ao concurso público era realizada por meio de ‘processos seletivos’.

Carlos Japonês

Carlos Japonês

“Ocorre que, durante o trâmite dos processos seletivos números 23/16 e 24/16, testemunhas protegidas trouxeram ao Ministério Público notícia a respeito de como as contratações de fato ocorriam envolvendo os denunciados”, assinalam as promotoras. “Isto motivou o ajuizamento de pedido de busca e apreensão pela Justiça Eleitoral, porquanto inicialmente a investigação era sobre a ocorrência de infração ao artigo 299 do Código Eleitoral. O pleito foi deferido e culminou na busca e apreensão de documentos que demonstraram os crimes imputados.”

As promotoras destacam que a Prefeitura de Carapicuíba ‘já estava, a esta altura, tomada por uma verdadeira cultura de contratações temporárias e nomeação de pessoal para cargos em comissão em total afronta as regras constitucionais’.

Paulo Xavier

Paulo Xavier

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