Testemunha do cartel dos trens diz que ex-diretor da CPTM antecipou resultado de licitação

Mateus Coutinho

20 de novembro de 2013 | 00h19

Em depoimento ao Ministério Público, Everton Rheinhemer afirma que João Roberto Zaniboni anunciou escolha da Siemens.

por Fausto Macedo

Everton Rheinhemer, ex-executivo da Siemens, depôs nesta terça feira, 19, no Ministério Público de São Paulo e relatou os bastidores de encontros de executivos de multinacionais para acerto de valores em licitações do setor metroferroviário nos governos do PSDB em São Paulo, entre 1998 e 2008. Ele apontou combinações nos processos de concorrência dos trens das séries 2100 e 3000 da CPTM. Contou sobre reuniões na sede da Alstom, na Lapa, entre dirigentes das empresas que supostamente concorriam entre si.

Rheinhemer citou o consultor Arthur Teixeira, a quem o Ministério Público atribui o papel de lobista, e João Roberto Zaniboni, ex-diretor de operações e manutenção da CPTM. Segundo a testemunha, em uma licitação, Zaniboni anunciou com antecedência a escolha da Siemens.

Rheinhemer informou sobre encontros na Procint Consultoria, controlada por Arthur Teixeira.

Rheinhemer afirma que as concorrências dos trens passavam pela aprovação de Teixeira.

O criminalista Eduardo Carnelós rechaça a suspeita. “O sr. Arthur é especialista em sistema ferroviário e faz consultorias.” O advogado Luiz Fernando Pacheco afirma que Zaniboni jamais cometeu ilegalidades.