Teste toxicológico nos programas de prevenção e controle do uso indevido de substâncias psicoativas

Teste toxicológico nos programas de prevenção e controle do uso indevido de substâncias psicoativas

Anthony Wong*

17 de março de 2019 | 13h00

Anthony Wong. FOTO: DIVULGAÇÃO

O exame toxicológico para a detecção de uso de substâncias psicoativas ilícitas iniciou-se como Programa Oficial de Governo como Ato Executivo da Presidência dos Estados Unidos da América em 1984, quando passou a ser exigido de todos os profissionais em atividades comerciais, laborais, industriais e executivas ligados ao transporte aéreo, terrestre e marítimo e entre os componentes e membros das forças de segurança e militar federais, estaduais e municipais. Na época, a matriz adotada para a detecção das substâncias psicoativas era a urina. Foram estabelecidos critérios de coleta, sensibilidade e exatidão analítica, níveis de corte (cut-offs), diretrizes de confidencialidade, consequências e medidas disciplinares (punições) assim como condições e situações de justificativas nos casos positivos, avaliação médica (MRO), entre outras. Fora determinada as janelas de detecção das substâncias químicas nesta matriz assim como as situações e/ou condições que poderiam afetá-las.

A matriz urina reinou absoluto por décadas, sendo extremamente eficaz nos programas de controle de uso e na consecução de objetivos como o “Drug Free Workplace”. Passou a fazer parte não apenas das atividades englobadas pelo Ato Executivo, como espalhou se rapidamente a todas as outras atividades econômicas e comerciais americanas, e desde então para outras nações. Sua janela de detecção cobre de horas até semanas após o uso, sendo particularmente útil no diagnóstico de uso recorrente ou crônico entre dependentes químicos.

A evolução tecnológica da ciência permitiu que outras matrizes passassem a ter sensibilidade e exatidão analítica similar e até superior às da urina, com janelas de detecção características de cada. Assim, a análise da queratina, já conhecida há décadas, passou a ser adotada como meio eficaz de detecção destas substâncias quando foram desenvolvidas técnicas analíticas de triagem (“screening”) que tornou esta matriz igualmente factível economicamente. Sua larga janela de detecção, de semanas até meses após o uso relativamente contumaz, era vista como vantagem na avaliação dos costumes e hábitos de consumo entre os usuários de substâncias químicas licitas e ilícitas. Era e é visto como uma maneira eficaz de controle de uso em áreas altamente sensíveis de atividades de segurança operacional e da coletividade.

Mais recentemente, a matriz de fluido oral ou saliva também se tornou viável e altamente eficaz na detecção destas substâncias, com a janela de detecção muita curta, desde minutos até dois dias após o uso. Este fato torna a saliva de ainda maior valia pois é a única matriz que pode correlacionar o incidente ou acidente à presença das substâncias psicoativas no organismo. Serve também como fator de dissuasão e controle ao assumir uma atividade de risco como pilotar um avião ou caminhão.

O Kit Presto Saliva Sem Álcool, com índice de 99% de precisão, possui o confirmatório e a contraprova obtido no mesmo instante da coleta. Em aproximadamente 3 minutos detecta se houve consumo de drogas ou medicamentos capazes de comprometer a capacidade de direção. O produto detecta dezenas de substâncias, mas principalmente uma classe de substâncias de drogas ilícitas como: maconha, cocaína, anfetamina, metanfetamina e opioides, às quais englobam medicamentos de prescrição.

A detecção de substâncias voláteis, em especial o etanol, no ar expirado já é conhecida há décadas. A aplicação de todas as matrizes acima enumeradas nas diversas atividades comerciais de maneira criteriosa e cientificamente orientada tem contribuído sobremaneira na diminuição de acidentes, perdas de vidas e patrimoniais, recuperação de dependentes químicos, redução de danos pessoais, fator de segurança coletiva e pessoal, consecução de ambiente de trabalho saudável e seguro, entre inúmeros outros, e tornou os programas de prevenção e controle de uso indevido de substancias químicas mais eficazes e é fator indispensável atualmente.

É importante enfatizar que é consenso internacional e nacional que os exames toxicológicos sejam em queratina, urina ou saliva tem a função e o objetivo precípuos de assegurar o máximo de segurança da coletividade, diminuição de riscos, obtenção de ambiente saudável e produtivo para todos os colaboradores. Os exames toxicológicos, em especial aqueles com larga janela de detecção, servem principalmente como fatores de dissuasão e prevenção, e não como fator de perseguição e descriminação, muito menos de acusação, aos usuários de álcool e drogas. As estatísticas são unanimes na demonstração que a adoção de exames toxicológicos nas diversas matrizes foram os principais fatores na dissuasão e a diminuição do uso daquelas substâncias em todos os ambientes de trabalho mundialmente.

*Anthony Wong, professor e vice-presidente do Fórum Internacional de Testagem de Álcool e Drogas e diretor médico do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox)

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