PF prende tesoureiro do PT em nova fase da Operação Lava Jato

PF prende tesoureiro do PT em nova fase da Operação Lava Jato

Polícia também cumpre mandado de condução coercitiva contra a mulher do petista e de prisão temporária contra a cunhada dele, suspeita de estar envolvida com o esquema na estatal

Redação

15 Abril 2015 | 07h52

Atualizado às 22h34

por Fausto Macedo, Andreza Matais e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi preso nesta quarta-feira, 15, em São Paulo, em nova fase da Operação Lava Jato, que investiga corrupção, pagamento de propinas e formação de cartel na Petrobrás. O juiz Sérgio Moro ordenou a prisão preventiva de Vaccari apontando risco de o dirigente petista, “em tal posição de poder e de influência política”, persistir na prática de crimes “ou mesmo perturbar as investigações e a instrução” da ação penal da qual é réu sob a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro.

No pedido, o Ministério Público Federal apontou também indícios de enriquecimento ilícito de familiares de Vaccari.

A prisão preventiva do secretário de Finanças do PT constrangeu e causou preocupação no partido e no governo, além de dar fôlego à tese do impeachment da presidente Dilma Rousseff defendida por parte da oposição.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, Vaccari atuava como operador financeiro de propinas pagas ao PT decorrentes de contratos firmados no âmbito da estatal petrolífera. Mesmo após ser acusado formalmente, no mês passado, ele foi mantido no cargo. Após a prisão do tesoureiro, o presidente do PT, Rui Falcão, se reuniu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e depois divulgou nota informando que Vaccari pediu para ser afastado. O partido tratou a prisão como “injustificada” .

No pedido de prisão feito à Justiça Federal no Paraná, os procuradores da República alegam “risco concreto de reiteração delitiva”, destacando que Vaccari permanecia como tesoureiro do PT e arrecadou na campanha de 2014 doações oficiais das empreiteiras investigadas.

Vaccari Neto, tesoureiro do PT, é preso pela PF

Foto: Geraldo Bubniak/AGB

A força-tarefa, com base em depoimentos de delatores, sustenta que ao menos parte das doações oficiais seria, na verdade, pagamento de propinas ao partido operadas por Vaccari a partir de contratos firmados pela Diretoria de Serviços da Petrobrás, comandada de 2003 a 2012 por Renato Duque – indicado pelo PT e que também é réu e cumpre prisão preventiva.

Ao apontar risco de reiteração de crimes, os procuradores citam o fato de Vaccari ter sido denunciado há cinco anos por fraudes envolvendo a Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), presidida por ele de 2004 a 2010. O Ministério Público Estadual constatou desvios que teriam provocado rombo de quase R$ 100 milhões e denunciou criminalmente Vaccari e mais cinco ex-dirigentes da cooperativa por estelionato, lavagem de dinheiro e quadrilha. Todos negam irregularidades.

“Em um contexto de criminalidade desenvolvida de forma habitual, profissional e sofisticada, não há como não reconhecer a presença de risco à ordem pública, a justificar a prisão preventiva para interromper o ciclo delitivo”, escreveu Moro.

Sigilos. O petista foi preso em casa, na zona sul da capital paulista, por volta de 6h30. Ele foi transferido para a sede da PF em Curitiba. A mulher de Vaccari, Giselda Rousie de Lima, foi ouvida em casa para evitar o custo de transportá-la até Curitiba, segundo os investigadores.

Além de novas revelações feitas por dois executivos e delatores – Eduardo Leite, da Camargo Corrêa, e Augusto Mendonça, da Setal -, a quebra dos sigilos fiscal da mulher, Giselda; da filha, Nayara, e da cunhada de Vaccari, Marice Correa Lima, foi decisiva para a prisão. Marice, suspeita de envolvimento no esquema investigado na Lava Jato, foi alvo de pedido de prisão temporária, mas não havia sido presa até a conclusão desta edição.

Ao quebrar o sigilo de Giselda, a força-tarefa encontrou depósitos não identificados no limite próximo de R$ 10 mil que somaram R$ 322 mil em três anos, até dezembro de 2014. A Receita Federal apontou “significativo incremento patrimonial” da filha do tesoureiro – a partir dos rendimentos declarados por Nayara, seu patrimônio cresceu R$ 724 mil em um ano, entre 2012 e 2013. Nayara declarou doações recebidas da mãe e da tia, mas, para os procuradores, há “indícios concretos” de que mulher e filha foram usadas por Vaccari para “ocultação do patrimônio adquirido com recursos ilícitos”.