Tesoureiro da campanha de Cabral diz não ter participado de encontro em hotel

Tesoureiro da campanha de Cabral diz não ter participado de encontro em hotel

Em depoimento à PF, Wilson Carlos, ex-secretário do Rio, nega reunião com ex-diretor da Petrobrás e executivos para pedir dinheiro para campanha

Redação

27 de junho de 2015 | 18h58

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

O ex-assessor financeiro de Sérgio Cabral (PMDB) na campanha da reeleição ao governo do Rio em 2010, Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho, negou ter participado da reunião com o engenheiro Ricardo Ourique Marques e com o então diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, para pedir dinheiro. Wilson Carlos declarou à Polícia Federal, em depoimento no dia 7 de maio, que não pediu recursos a empresários do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), nem se encontrou com Ourique Marques e Costa no apartamento do hotel Caesar Park, em Ipanema.

“Que no ano de 2010 não se recorda de ter ficado em nenhum hotel do Rio de Janeiro”, disse ao delegado Milton Fornazari Junior. “Que não se recorda de ter participado de reuniões em hotéis do Rio; Que não conheceu Ricardo Ourique Marques.”

Wilson Carlos, de 50 anos, disse que está ‘desempregado’. Entre 1997 e 2003 trabalhou como assessor de Cabral, então deputado estadual., ‘a convite dele próprio’. Em 2003, passou a assessorar o peemedebista no Senado. Depois, em 2010, assumiu a administração financeira da campanha da reeleição ao governo do Estado. O coordenador geral da campanha era o próprio candidato, segundo Wilson Carvalho.

“Que sobre a captação de recursos, as pessoas físicas e jurídicas desejosas de contribuir com a campanha de Sérgio Cabral procuravam o comitê”, disse. “Que era o responsável por atender tais pessoas que vinham pessoalmente ou por telefone. Que sua função como administrador financeiro consistia em auxiliar o candidato nas contas de campanha para posterior prestação à Justiça Eleitoral.”

Segundo Wilson Carvalho, as empresas e pessoas físicas que queriam apoiar Cabral “recebiam a informação da conta bancária para o fim de fazerem depósito, ou por cheque identificado ou por TED”.

Ele disse que Régis Velasco Fichtner ‘não participou diretamente da campanha eleitoral, nem captou recursos ou apresentou pessoas que queriam contribuir’.

Wilson Carvalho disse que ‘conheceu Paulo Roberto Costa ‘em reuniões entre o Governo e a Petrobrás, com a presença de outros membros, tanto do Governo como da Petrobrás’.

“Que não participou de reunião em que Sérgio Cabral tenha pedido a Paulo Roberto Costa que obtivesse R$ 30 milhões junto a empresários com contratos no Comperj”, disse o ex-assessor.

Ele disse que ‘não sabe’ porque a OAS doou R$ 1 milhão à campanha da reeleição da chapa Sérgio Cabral/Pezão. “A doação foi devidamente contabilizada, declarada e aprovada pela Justiça Eleitoral, estando disponível na internet’, declarou.

O delegado também perguntou ao ex-assessor financeiro por que outras duas gigantes da construção, Odebrecht e UTC, fizeram doações que somaram R$ 1,2 milhão para o comitê financeiro único do PMDB. Wilson Carlos respondeu que ‘não sabe porque era assessor apenas da campanha de Cabral’.

DEPOIMENTO-WILSON-CARLOS-1 (1)

DEPOIMENTO-WILSON-CARLOS-2

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava JatoSérgio Cabral

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: