Terceiro suspeito de participação no crime foi liberado por falta de provas, diz promotor

Terceiro suspeito de participação no crime foi liberado por falta de provas, diz promotor

Rafael do Val, responsável pelo caso, afirma que posição do Ministério Público é 'cautelosa' por envolver um menor de idade e aguarda novo relatório da Polícia Civil para decidir pela apreensão do adolescente; jovem continua a ser investigado como suspeito

Paulo Roberto Netto

15 de março de 2019 | 21h25

Fachada da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP). Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

A Polícia Civil de São Paulo não apresentou provas condenatórias suficientes para uma representação contra o adolescente de 17 anos apontado como suspeito de participação no ataque à Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, afirmou ao Estadão o promotor Rafael Ribeiro do Val, responsável pelo caso.

“A posição do Ministério Público é cautelosa. Entendemos a comoção popular, mas precisamos ter cautela para não fazer uma caça às bruxas e entregar a cabeça de um inocente”, afirmou Rafael do Val. “Eu preciso de um pouco mais.”

Mais cedo, Val ouviu o rapaz no Fórum de Suzano. Durante pouco mais de duas horas e acompanhado da mãe, o adolescente contestou as acusações da Polícia Civil, negou participação no crime e apresentou documentos que serão cruzados com as provas obtidas pelos investigadores. No início da tarde, ele foi liberado, mas continua a ser investigado como suspeito.

Segundo o promotor, diferente de casos envolvendo maiores de idade, nos quais o Ministério Público pode solicitar a prisão temporária ou preventiva do suspeito antes de apresentar uma denúncia formal, situações com menores requerem mais elementos condenatórios para ser apresentada a representação. A norma é estabelecida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

De acordo com Rafael do Val, o pedido de fundamentação pela apreensão do rapaz foi ‘bem detalhado’ e fundamentado em indícios e provas já encontradas que levaram os investigadores a crer na participação do rapaz.

Nesta semana, o adolescente prestou depoimento à Polícia Civil. Segundo os investigadores, o rapaz teria participado no planejamento do ato. Ele é ex-aluno da Raul Brasil e colega de classe de G.T.M., jovem da mesma idade que supostamente liderou o ataque.

Durante a manhã, policiais conduziram uma ação de busca e apreensão na residência do adolescente e levaram documentos e aparelhos eletrônicos. As provas passarão por análise nos próximos dias e será entregue ao Ministério Público para nova avaliação.

“A Polícia está elaborando um relatório, que deve ficar pronto até segunda-feira. Somente depois poderei me manifestar sobre algum ato infracional e a participação dele no crime ou não”, disse o promotor. “Vou aguardar o que a polícia vai apresentar para verificar a participação do adolescente, com a urgência que o caso requer.”

Por ora, a promotoria continua a apurar como e com quem G.T.M., 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25, conseguiram o revólver .38 e as outras armas utilizadas no crime, como uma besta e machadinhas. O ataque à Escola Estadual Raul Brasil deixou 10 mortos e 11 feridos na quarta, 13. Cinco das vítimas eram estudantes da Raul Brasil e outras duas eram funcionárias da instituição.

A promotoria, junto com o CyberGaeco, núcleo de investigação de crimes virtuais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público, continua a apurar os indícios de participação em fóruns da chamada dark web, parte da internet que conta com um sistema de acesso específico que busca dificultar a identificação e os rastros dos seus usuários.