Terceiro suspeito pelo assassinato de Bruno e Dom se entrega à polícia

Terceiro suspeito pelo assassinato de Bruno e Dom se entrega à polícia

Jeferson da Silva Lima, conhecido Pelado da Dinha, se apresentou por volta das 6h na Delegacia de Atalaia do Norte; Justiça decretou prisão temporária por 30 dias

Rayssa Motta, Fausto Macedo/SÃO PAULO e Vinícius Valfré/ ENVIADO ESPECIAL A ATALAIA DO NORTE (AM)

18 de junho de 2022 | 10h29

Jeferson da Silva Lima, conhecido Pelado da Dinha, se entregou na Delegacia de Atalaia do Norte. Foto: Divulgação/Polícia Civil

O terceiro suspeito de envolvimento no assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips na região do Vale do Javari, no Amazonas, se entregou neste sábado, 18, à Polícia Civil.

Jeferson da Silva Lima, conhecido Pelado da Dinha, é apontado como alguém que participou diretamente do duplo homicídio e ajudou na ocultação dos corpos. Ele se apresentou por volta das 6h na Delegacia de Atalaia do Norte, no extremo oeste do Amazonas, e foi interrogado pelos investigadores. Depois de prestar depoimento, foi encaminhado para audiência de custódia. A Justiça do Amazonas decretou sua prisão temporária por 30 dias.

Pelado da Dinha estava com a prisão decretada pela Justiça e era considerado foragido. Em comunicado publicado na noite de ontem, a Polícia Federal (PF) pediu que a população da região entrasse em contato com as autoridades imediatamente se tivesse informações que pudessem ajudar a localizá-lo.

“Na sexta, montamos uma equipe e fomos até o sítio da mãe dele no município de Benjamin. Ele não se encontrava. Conversamos com os familiares e pedimos pra convencê-lo a se entregar”, informou o delegado Alex Perez, da Delegacia de Atalaia.

Estão presos ainda Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado, que confessou o crime, e o irmão dele, Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos. Ambos também tiveram a prisão temporária decretada.

Dom Phillips e Bruno Pereira foram mortos no Vale Javari. Foto: Wilton Júnior/Estadão

Mandantes

Os policiais federais informaram na sexta-feira, 17, que os assassinos agiram sozinhos e que o crime não teve um mandante. O envolvimento de facções criminosas também foi descartado.

As linhas de investigação foram consideradas inicialmente tanto por causa do trabalho desenvolvido por Bruno, que orientava moradores a denunciar irregularidades nas reservas indígenas, quanto pela presença de traficantes de drogas e armas, caçadores ilegais, madeireiros e garimpeiros na região.

A Univaja, entidade para a qual o indigenista prestava serviços ao ser assassinado na Amazônia, criticou que a PF tenha descartado crime de mando na investigação.

“As lideranças indígenas entendem que a Polícia Federal fez uma nota com conclusões precipitadas”, ressalta Beto Marubo, da Univaja. “É prematuro dizer que os matadores não têm ligação com a rede criminosa que atua no Javari”, afirma. “Nós não acreditamos nisso.”

Perícia

A PF aguarda ainda o resultado da perícia nos restos mortais apontados por Pelado como sendo de Bruno e Dom. Ele guiou as equipes de busca na última quarta-feira, 15, até o local onde teria enterrado os corpos, a cerca de três quilômetros da margem do rio Itaguaí. O Instituto Nacional de Criminalística de Brasília, responsável pelos exames, confirmou a identidade do repórter. Os testes, no entanto, ainda não foram concluídos. Falta a identificação de Bruno e outros exames que devem ajudar a esclarecer a dinâmica do crime.

Proteção

Lideranças do Vale do Javari estão em Brasília para pedir ao governo federal uma força tarefa urgente no território dos grupos indígenas isolados no extremo oeste do Amazonas. O temor é que os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips provoquem uma onda de invasão da área pela rede criminosa formada por narcotraficantes, garimpeiros e pescadores ilegais.

A proposta é que a força tarefa seja integrada por representantes do Exército, da Polícia Federal, do Ibama e da Funai. “Bruno morreu pelos isolados. Com a morte dele, a situação vai piorar muito. A terra vai ser de ninguém”, afirma Marubo. “O governo precisa mandar uma força tarefa específica para enfrentar a rede criminosa que rouba toneladas de recursos naturais todos os meses do território indígena”, ressalta. “Precisamos fazer isso pelo Bruno, pelo Dom, pelos isolados.”

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