Terceiro setor: voltem o olhar para as pequenas ONGs

Terceiro setor: voltem o olhar para as pequenas ONGs

Patricia Alves*

14 de junho de 2021 | 04h30

Patricia Alves. FOTO: ANGELO PASTORELLO

Não é de hoje que o voluntariado salva a imensa parcela da sociedade completamente esquecida pelo poder público.

Durante a pandemia e com um governo sem qualquer viés voltado para o social, foi o incansável trabalho dos voluntários que garantiu o mínimo de dignidade em tempos tão sombrios.

Mas, quero aqui chamar a atenção e propor uma reflexão sobre a dura realidade de quem conhece de perto o terceiro setor.

Um assunto que não está nas rodas de discussões, mas que precisamos colocar em pauta.

Alguém já parou para pensar nas pequenas organizações que NUNCA recebem doações milionárias, nem chamam a atenção da grande mídia?

Elas jamais são escolhidas para receber verbas polpudas de patrocínio, proveniente de grandes marcas ou são notícia na grande mídia.

Conheço de perto o trabalho das chamadas associações de bairro ou alianças solidárias, que acolhem a população vulnerável sem qualquer estrutura ou apoio.

É hora das grandes marcas e/ou personalidades saírem de sua zona de conforto e voltarem o olhar para estas gigantes, que em sua pequenez (somente estrutural) nunca foram tão necessárias.

Não se trata de “delírio comunista” conforme citou uma atriz em seu discurso raso, isento e patético.

A discussão é muito maior do que direita, esquerda ou centro. Afinal, faz tempo que andamos em círculo, orquestrados por bravatas de todos os lados.

Estamos falando de um país que se viu novamente no mapa da fome e PASMEM!!!!, consegue ser desigual até na distribuição de recursos voltados para fazer o bem.

As marcas mais antenadas já buscam vender produtos com propósito, mas precisam ir mais além. É hora de enxergar de forma séria e coerente pequenas lideranças onde faça sentido investir.

Olhar além da bolha, entender minimamente o país que vivemos é fundamental.

Vivemos uma desigualdade social, cultural, moral e humanitária.

Quando me deparo com cifras de ONGS recebendo milhões de reais e outras sem conseguir pagar uma conta básica, sinto um enorme desconforto, para dizer o mínimo.

Acredito que seja a hora de gestores de plataformas e lideranças ávidas por fama, enxergarem o trabalho social auxiliando estes pequenos “multiplicadores”.

Trabalho social é ou deveria ser obrigatoriedade e não uma vitrine para “sair bem na foto”.

Precisamos ficar atentos quando cifras milionárias começam a surgir. Já vimos este filme e sabemos que alguns descobrem este viés para encobrir recursos que muitas vezes não sabemos ao certo de onde vem e muito menos para onde vão.

*Patricia Alves é diretora da Patwork, faz parte do Comitê de Comunicação da LoveTogether Brasil e do conselho da ONG Aliança Solidária. Jornalista graduada pela FMU de São Paulo e pós-graduada em Comunicação Corporativa pela Fundação Casper Líbero. Repórter de TV no programa Empresários de Sucesso da Band News, Band Internacional e canal Terra Viva e colunista de lifestyle da revista Mensch

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