Teori foi um ‘herói brasileiro’, diz Moro

Teori foi um ‘herói brasileiro’, diz Moro

Para juiz que virou símbolo da Lava Jato, maior operação contra a corrupção no País não teria existido sem o ministro que morreu no mar de Paraty na queda de um bimotor turboélice da Hawker Beechcr nesta quinta, 19; força-tarefa afirma que Zavascki 'teve uma trajetória profissional marcada pela lisura e pela seriedade'

Ricardo Brandt, Julia Affonso, Fábio Serapião e Mateus Coutinho

19 de janeiro de 2017 | 19h06

Sérgio Moro. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Sérgio Moro. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O juiz federal Sérgio Moro, que virou símbolo da Operação Lava Jato, afirmou que o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, morto nesta quinta-feira, 19, em acidente aéreo no mar de Paraty, foi ‘um herói’. Teori, que era relator da Lava Jato na Corte máxima, estava em um bimotor que caiu no litoral do Rio. Outras duas pessoas morreram no acidente.

“Tive notícias do falecimento do ministro Teori Zavascki em acidente aéreo. Estou perplexo. Minhas condolências à família. O ministro Teori Zavascki foi um grande magistrado e um herói brasileiro. Exemplo para todos os juízes, promotores e advogados deste País. Sem ele, não teria havido Operação Lava Jato. Espero que seu legado de serenidade, seriedade e firmeza na aplicação da lei, independente dos interesses envolvidos, ainda que poderosos, não seja esquecido”, afirmou Moro.

A aeronave decolou do Campo de Marte, aeroporto localizado na capital paulista, às 13h, e caiu por volta das 13h45, segundo a Marinha. Segundo informações disponíveis no site da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o Beechcraft C90GT tem capacidade para sete passageiros, além do piloto. É um avião bimotor turboélice fabricado pela Hawker Beechcraft. A aeronave PR-SOM está registrada em nome da Emiliano Empreendimentos e Participações Hoteleiras Limitada.

Relator da Lava Jato na Corte, o ministro era o responsável por conduzir os desdobramentos da maior investigação de combate à corrupção no País que envolvem autoridades com foro privilegiado. Teori estava empenhado, nos últimos meses, na análise da delação premiada dos 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht, o mais importante acordo celebrado pela operação até aqui e que aguarda homologação.

Até então, o ministro já havia homologado 24 delações premiadas no âmbito da operação que implicam políticos dos principais partidos do País, da base e da oposição do governo federal.
Teori foi ministro do Supremo Tribunal Federal a partir de 29 de novembro de 2012. O ministro foi presidente da 2ª Turma da Corte entre 2014 e 2015.

A força-tarefa da Lava Jato lamentou a morte de Teori Zavascki em nota de pesar.

“Os procuradores que integram a força-tarefa Lava Jato na Procuradoria da República no Paraná lamentam o falecimento do magistrado e professor Teori Albino Zavascki, relator da operação no Supremo Tribunal Federal. O ministro Zavascki teve uma trajetória profissional marcada pela lisura e pela seriedade. Sua atuação firme na relatoria da operação honrou o Supremo e foi um louvável serviço prestado ao País”, diz a nota.

Em nota, a Direção do Foro da Seção Judiciária do Paraná da Justiça Federal, afirmou ‘estar consternada com a notícia do falecimento de excelentíssimo Ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, vem, em nome dessa instituição e de todos seus magistrados e servidores, externar seu pesar diante dessa fatalidade’.

“Neste momento de dor, prestamos nossas sinceras homenagens e nosso pesar a todos os familiares de tão honroso jurista, cuja memória será uma constante na história da Justiça Federal da 4ª Região”, destacam as juízas federais Gisele Lemke, diretora do Foro, e Luciane Merlin Clève Kravetz, vice-diretora do Foro.

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