Teori estica até novembro inquérito contra Renan na Lava Jato

Teori estica até novembro inquérito contra Renan na Lava Jato

Presidente do Senado (PMDB-AL) é investigado por supostamente ter recebido propina para evitar a instalação de CPI da Petrobrás

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

27 de setembro de 2016 | 13h31

O presidente do Senado, Renan Calheiros, alvo de nova delação na Lava Jato / Foto: Dida Sampaio/Estadão

O presidente do Senado, Renan Calheiros, alvo de nova delação na Lava Jato / Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ministro Teori Zavaski, do Supremo Tribunal Federal, ampliou para até novembro o prazo para conclusão da investigação em um dos inquéritos contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Nestes autos, Renan é investigado por supostamente ter recebido propina para evitar a instalação de uma CPI da Petrobrás.

O Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura do inquérito em março deste ano, após pedido da Procuradoria-Geral da República.

O alargamento do prazo foi pedido pela Polícia Federal. “Defiro a prorrogação de prazo para conclusão das diligências restantes, solicitada pela autoridade policial (petição 49.823/2016) e ratificada pelo Procurador-Geral da República (petição 53.592/2016), até 26 de novembro de 2016, a teor do artigo 230-C, caput, e § 1º, do RISTF (Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal)”, determinou Teori.

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Em delação premiada, Carlos Alexandre de Souza Rocha, um dos entregadores de dinheiro de Alberto Youssef, cita conversas em que o doleiro mencionou pagamentos ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Rocha, conhecido como Ceará, disse que ‘várias vezes’ ouviu Youssef falar no nome do peemedebista.

Em uma delas, Youssef teria dito que repassaria R$ 2 milhões a Renan para evitar a instalação de uma CPI da Petrobrás.

Documento

O entregador de dinheiro não soube precisar aos investigadores o ano em que a conversa teria ocorrido, nem se o pagamento foi feito.

De acordo com ele, a CPI não foi instalada naquela ocasião. “Mas Renan Calheiros não é da situação?”, questionou Ceará a Youssef. O doleiro teria respondido, segundo o delator: “Ceará, tem que ter dinheiro pra resolver”.

No depoimento à Procuradoria-Geral da República, o entregador de dinheiro de Youssef também menciona uma operação com entrega de R$ 1 milhão em Maceió.

Depois de toda a operação, que envolvia retirada de dinheiro em Recife e entrega em Alagoas, Estado de Renan, o doleiro teria dito a Ceará que o dinheiro seria destinado ao senado peemedebista.

O dinheiro foi entregue em duas parcelas em um saguão de hotel, a um homem que o emissário de Youssef não soube identificar.

Ao chegar em São Paulo, irritado com a pressão do doleiro para que a entrega fosse feita rapidamente, o delator perguntou a Youssef quem iria receber o R$ 1 milhão levado a Maceió. “Que Alberto Youssef respondeu ao declarante em alto e bom som: ‘O dinheiro era para Renan Calheiros’”, disse o delator aos investigadores da Lava Jato, sobre a resposta de Youssef.

A terceira menção a Renan feita pelo delator menciona uma operação de venda da empresa Marsans, adquirida por Youssef, a um fundo de pensão.

De acordo com o entregador de dinheiro, o doleiro disse que “havia a participação de Renan Calheiros nessa operação”. Ele não soube precisar aos investigadores, no entanto, detalhes sobre o caso e afirmou que em 2014 Youssef chegou a viajar a Brasília para conversar com o peemedebista a respeito, mas não conseguiu falar com o senador.

Os depoimentos de Ceará foram prestados entre o final de junho e o início de julho deste ano, na Procuradoria-Geral da República.

As declarações foram mantidas sob sigilo até este mês, quando o relator da Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki, retirou o segredo da documentação.

O senador Renan Calheiros nega enfaticamente recebimento de valores ilícitos. Desde que virou alvo da Procuradoria-Geral da República, o peemedebista tem reiterado que está à disposição da Justiça para esclarecimentos.

COM A PALAVRA, O SENADOR EDUARDO BRAGA (PMDB/AM)

“Repudio a publicação pelo jornal Estado de São Paulo, de informação segundo a qual o ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo Hypermarcas, Nelson Mello, teria pago R$ 30 milhões a dois lobistas com trânsito no Congresso para fazer repasses aos senadores Romero Jucá, Renan Calheiros e à minha pessoa.

Não recebi nenhuma doação da  empresa Hypermarcas, não a conheço, e a minha relação com esse Milton Lyra resume-se a uma relação social aqui em Brasília. Conheci-o na casa do senador Renan Calheiros. Fui apenas apresentado a ele e nunca tive nenhuma outra relação com o mesmo.”

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