‘Tentar denegrir a imagem do juiz é ato de covardia’, diz advogado de doleiro

Figueiredo Basto, que defende Alberto Youssef, réu da Lava Jato, afirma que juiz Sérgio Moro 'está acima de intenções políticas'

Redação

11 de outubro de 2014 | 05h00

Por Fausto Macedo

O criminalista Antonio Figueiredo Basto, que defende o doleiro Alberto Youssef – réu da Operação Lava Jato –, afirmou nesta sexta feira, 10, que “tentar denegrir a imagem do juiz é ato de covardia”. Basto repudiou as críticas do PT e do governo ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato.

Na última quarta feira, 8, Moro interrogou o ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Youssef, personagens centrais de grande esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobrás. Os interrogatórios foram realizados dentro de uma das ações criminais da Lava Jato e não têm qualquer vínculo com a delação premiada que Costa fez e com a delação que Youssef está fazendo.

Como réus da Lava Jato, mesmo tendo feito delação, Costa e Youssef têm que continuar respondendo às ações penais normalmente. Os benefícios da delação eles poderão obter no momento em que o juiz sentenciar.

Nos interrogatórios, Costa e Youssef não citaram nomes de autoridades com foro privilegiado, mas revelaram que 3% sobre o valor de contratos de diretorias da Petrobrás seriam destinados ao PT. A divulgação dos depoimentos irritou o PT e o governo, embora o processo seja público.

“O juiz Sérgio Moro é um homem sério, honesto, acima de qualquer suspeita e está acima de qualquer intenção de natureza política”, afirma o advogado Figueiredo Basto. “Não tenho procuração para defender o juiz, mas essa investida (do PT e do governo) contra ele é absolutamente despropositada e caluniosa.”

“Nós da defesa não tínhamos interesse na divulgação do que Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa declararam, mas não estamos reclamando porque desde o começo não há segredo de Justiça nos autos”, destacou Figueiredo Basto. “Todo o processo correu na mais absoluta legalidade e transparência. Afinal, todos os processos são públicos, a publicidade é a regra, o sigilo é a exceção.”

Para Figueiredo Basto, a ofensiva contra o juiz Moro “mostra que estão querendo fugir do foco”. Em claro recado a políticos citados na Lava Jato, o criminalista argumentou. “O sigilo só beneficia esse tipo de coisa, fico surpreso que se tente denegrir a imagem do juiz. É mais um ato de desespero. A filosofia dessa gente aceita tudo, mas não querem assumir a consequência dos seus atos. Depois de descobertos eles se revoltam. Querem criar álibi inclusive para transforma juiz em bandido e o bandido em juiz. Isso já tentaram fazer. Lamento profundamente que hostilizem o juiz Sérgio Moro dessa forma. Não houve nenhuma irregularidade, nenhum vazamento porque o processo é público.”

Figueiredo Basto diz que os advogados não queriam publicidade dos atos de interrogatórios e outros, não queriam divulgação. “Mas o processo estava absolutamente fora do sigilo há muito tempo, então, não houve vazamento, o que houve foi o regular exercício de colocar todos os atos em processo eletrônico”.

“As pessoas têm o direito de espernear, mas vamos espernear dentro da regra. Se alguém se sente injuriado ou injustiçado terá todos os caminhos para buscar reparação. Mas é inaceitável atacar o Judiciário dessa forma”, adverte Figueiredo Basto.
O criminalista assinala que a audiência (para interrogatório de Youssef e Costa) “já estava marcada há muito tempo, desde o dia 19 de setembro, portanto, muito antes do primeiro turno das eleições”.

“Não tenho amizade com o juiz (Sérgio Moro), mas eu o respeito profundamente. Sei que ele não tem nenhum interesse, muito menos eleitoral, seu interesse é apenas cumprir sua missão de magistrado e, por isso, pode estar incomodando muita gente”, afirma Figueiredo Basto.

“Trata-se de processo com réus presos e a Justiça tem prazo para cumprir, um prazo extremamente exíguo”, alerta o criminalista. “Não vi nenhuma condução ou medida para proteger ou para perseguir quem quer que seja.”

Ele disse que no dia dos interrogatórios de Costa e de Youssef havia 12 advogados na sala do juiz. “Ninguém, nenhum advogado, impugnou o fato de o processo correr sem segredo. A regra do jogo constitucional determina discussão dentro do processo. Ninguém impugnou a publicidade do processo.”