‘Tenho certeza que vão me condenar por homofobia’, disse Bolsonaro em reunião do dia 22 de abril

‘Tenho certeza que vão me condenar por homofobia’, disse Bolsonaro em reunião do dia 22 de abril

Durante a reunião no Palácio do Planalto, presidente disse que se algum partido de esquerda sucedê-lo no poder, ele e 'uma porrada' de ministros terão que deixar o País porque serão presos

Julia Lindner, Rafael Moraes Moura, Jussara Soares, Amanda Pupo, Paulo Roberto Netto, Bianca Gomes, Marcelo Godoy, Rayssa Motta e Pepita Ortega

22 de maio de 2020 | 20h26

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Joédson Alves / EFE

Na reunião do dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro disse que, se algum partido de esquerda sucedê-lo no poder, ele e ‘uma porrada’ de ministros terão que deixar o País porque serão presos. “Eu tenho certeza que vão me condenar por homofobia, oito anos”, afirmou o presidente na ocasião. O comentário foi feito enquanto Bolsonaro pedia aos ministros, entre eles o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, que precisavam se posicionar mais.

No encontro, Bolsonaro também afirmou que a acusação de que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, cometeu racismo em declarações dele sobre a China seriam uma “invenção”. O caso é alvo de um inquérito aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República.

Bolsonaro cobrou Moro por não se posicionar contra casos de prisão de pessoas que descumpriram o isolamento durante a pandemia. “Senhor ministro da Justiça, por favor. Foi decidido há pouco tempo que não podia botar algema em quase ninguém. Por que estão botando algema em cidadão que está trabalhando, ou mulher que está em praça pública, e a Justiça não fala nada?”, questionou Bolsonaro.

“Tem que falar, pô! Vai ficar quieto até quando? Ou eu tenho que continuar me expondo? Tem que falar, botar pra fora, esculachar! Não pode botar algema! Decisão do próprio Supremo. E vamos ficar quietos até quando?”, reforçou.

Em seguida, Bolsonaro disse que é cobrado por eleitores para fazer algo sobre o tema. “Eu estou me lixando com a reeleição. Eu quero mais que alguém seja eleito, se eu vier candidato, tá? Eu quero ter paz no Brasil, mais nada. Porque se for a esquerda, eu e uma porrada de vocês aqui tem que sair do Brasil, porque vão ser presos. E eu tenho certeza que vão me condenar por homofobia, oito anos por homofobia.”

Bolsonaro também falou que Weintraub “pode ter falado a maior merda do mundo”, em referência ao fato de que o ministro da Educação insinuou que a covid-19 seria parte de um plano do país para “dominar o mundo”, além de ter ridicularizado o que pensa ser o sotaque chinês. Apesar disso, Bolsonaro considera que a fala não configura racismo.

“Daí inventam um racismo, como inventaram agora pro Weintraub. Desculpa, desculpa o … o desabafo: puta que o pariu! O Weintraub pode ter falado a maior merda do mundo, mas racista? Vamos ter que reagir pessoal, é outra briga”, declarou Bolsonaro na reunião de 22 de abril.

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