Tempos de mudanças

Tempos de mudanças

Michael Zanchet*

09 de abril de 2020 | 03h30

Michael Zanchet. FOTO: DIVULGAÇÃO

Vivemos em um mundo consternado com os acontecimentos em decorrência da covid-19. Perdas sociais, pessoais e de saúde, a tríade: saúde, sustentabilidade e trabalho. Tempos em que o medo, a supressão da mobilidade social, a impossibilidade de trabalhar, estudar, se locomover, gerou, em um primeiro momento, um embotamento emocional ou um desespero, em que as pessoas não sabiam o que fazer, alguns congelam, outros saem a comprar mantimentos e os que negam a situação e tentam viver na normalidade.

Passados 15 dias da pandemia, a população compreendeu, na sua maioria, a necessidade do isolamento social, e o mais importante nesse momento é vislumbrar como se adaptar a esse período, percebendo a necessidade de preservar a saúde, vivendo o presente do que é possível pagar das contas, o que será possível postergar, visto as políticas públicas e fazer um planejamento econômico para os próximos meses; de que maneira dentro do meu lar posso ter uma atividade econômica. Ou seja, agora é a hora de enfrentar o problema.

Enfrentar o problema é analisar quais são as minhas condições hoje. O vital é nesse momento seguir as orientações de saúde, ter condições ambientais saudáveis, para que possamos ter uma boa convivência, usar recursos econômicos para comer e pagar as contas possíveis e viver um dia de cada vez, sem pensar tanto no futuro e nem no passado. Focar no sono, relaxamento, tarefas domésticas, educação dos filhos, exercitar o diálogo, observar as plantas crescer no jardim ou na varanda do seu apartamento, em ver filmes e séries que façam a família refletir ou se você é sozinho, tirar ensinamentos para a sua vida, converse com seus familiares e amigos com os recursos eletrônicos. Ocupe a mente, exercite-se dentro de casa, veja as orientações de exercícios físicos na internet, assista palestras, faça cursos online gratuitos.

Lembre-se, a pandemia vai passar, você vai se recolocar no mercado de trabalho, talvez tenha que se desfazer de algum bem, mas vai recuperar ali na frente, o que não pode passar é a oportunidade de transformar seu coração, de viver mais leve, sem rancor, sem raiva, sem dizer: eu te amo; se livrar de medos, vergonhas e preconceitos, estar preso e refém do passado.  Não deixe de dar amor, carinho, se dedicar a si, estar feliz, não deixe de aproveitar  tudo isso por receios enraizados. Hoje, já entendemos que não temos controle de nada na vida, planejamento é bom e necessário, mas pode desmoronar em um milésimo de segundo, e percebemos que não existe nada mais importante que a saúde e que o alicerce de uma sociedade é a família.

Por isso, meu convite nesses tempos de reclusão é: escreva em uma folha o que você está ganhando com a pandemia. O que você vai traçar como metas para a sua vida de mudança pessoal quando a vida voltar ao normal? Quais são teus propósitos?

Chega de pensar em perdas, de notícias catastróficas, a hora agora é nos reinventarmos, cada um de nós sermos agentes de uma sociedade mais igualitária e de valores e preceitos de empatia, amor, lealdade, honestidade, ética, caráter, sinceridade, comunicação, afeto, espiritualidade, autocuidado, amizade, saúde, vida; palavras em desuso e que, podem ser uma hipótese para um nocaute da natureza no mundo.

*Michael Zanchet, psicólogo do Kurotel –  Centro Contemporâneo de Saúde Bem-Estar

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