Tempos de crise ou de oportunidade?

Tempos de crise ou de oportunidade?

Allan Augusto Gallo Antonio*

15 de abril de 2020 | 13h00

Allan Gallo Antonio. FOTO: DIVULGAÇÃO

Não é novidade que estamos entrando em uma crise econômica de proporções ainda desconhecidas. Acredite, isso não é da covid-19, antes, parte dessa crise começou em 2008 quando na tentativa de salvar o mundo de um colapso econômico, os governos de então injetaram dinheiro em suas economias e inflaram mais uma vez a bolha de crédito.

Tem sido assim por décadas desde a grande recessão de 1929 e a julgar pelos 15 trilhões de dólares injetados pelo FED (Banco Central Americano) e 135 bilhões de reais injetados pelo Banco Central do Brasil, as coisas continuarão assim. Se por um lado a covid-19 não causou a crise econômica, por outro ele mostrou mais rapidamente que o cobertor econômico era mais curto do que se imaginava.

Em termos gerais não há muito o que fazer em relação a crise. O cidadão comum ainda é refém dos processos políticos, que desencadeiam as crises, e não há perspectivas de emancipação. A crise virá, trará seus nefastos efeitos e depois irá embora até que venha a próxima.

No entanto, no plano individual, a crise econômica pode começar a ser superada já no período da quarentena. Se por um lado investimentos em capital físico e trabalho se mostram temerários, o investimento em capital humano não. Aliás, nunca na história foi tão fácil investir em capital humano. Mas o que é capital humano?

Em termos práticos, o capital humano é qualquer investimento feito em conhecimento (formal ou não) que aumente a produtividade de um indivíduo no futuro e como consequência gere aumento de sua renda.

Pode até parecer clichê a ideia de investir em conhecimento, mas a verdade é que o capital humano possui as mesmas características de qualquer outro tipo investimento, pois além de ser durável é também depreciável, isto é, perde sua utilidade apenas com o uso persistente ou depois do surgimento de novos conhecimentos (daí a importância de sempre estar atualizado).

O capital humano é capital, porque é fonte de satisfações futuras, ou de futuros rendimentos, ao mesmo tempo que é humano, porque se torna parte do homem. Como os homens são livres, o capital humano não é um ativo negociável que se adquire no mercado, no sentido de que possa ser vendido. Entretanto, pode ser adquirido por intermédio de um investimento do próprio indivíduo.

Em tempos de crise quando outros tipos de investimento podem virar pó da noite para o dia, o capital humano apresenta-se como uma das únicas modalidades na qual, certamente, será possível realizar lucros uma vez findada a crise.

Nessa altura é possível que o leitor se questione sobre como investir em capital num contexto de quarentena? Como investir em educação quando as instituições de ensino estão fechadas e a educação formal parece estrangulada?

Além das tradicionais opções de ensino a distância (EaD) oferecidos pela maioria das instituições de ensino brasileiras, existem hoje modernas plataformas online que permitem aos usuários desenvolver habilidades específicas por meio de cursos de curta duração. É possível aprender sobre gestão de riscos, álgebra, gramática, línguas, direito, desenvolvimento e criação de aplicativos, design, mecânica e até noções de economia por meio de tais plataformas.

Ainda que existam cursos pagos em tais plataformas, muitas também têm oferecido cursos gratuitos em função do período de quarentena. Além disso, existem também opções totalmente gratuitas como aulas e tutoriais pelo YouTube e até mesmo a já consagrada educação liberal clássica, aquela feita em casa por meio de livros mundialmente conhecidos. No final, o que importa não é o certificado, mas o domínio de certa habilidade ou conhecimento que possibilitará o indivíduo ingressar no processo produtivo de alguma forma.

No mercado financeiro, tempos de crise são também tempos de grande oportunidade, mas é preciso escolher bem o tipo de investimento e ter persistência e paciência para colher os resultados. De modo geral, com o advento da internet nunca foi tão fácil e barato investir em capital humano.

Assim, que tal aproveitar a crise e a necessária quarentena para aprimorar habilidades já existentes ou mesmo adquirir outras tantas que lhe permitam sair na frente durante a retomada? Crises são momentos cinzentos, mas também uma ótima oportunidade para investir na formação do seu próprio capital humano.

*Allan Augusto Gallo Antonio é advogado formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e mestrando em economia e mercados pela mesma instituição. Pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica

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