‘Temos que colocar a cabeça no lugar’, diz Moro após sobrevoar Fortaleza em pé de guerra

‘Temos que colocar a cabeça no lugar’, diz Moro após sobrevoar Fortaleza em pé de guerra

Depois do sobrevoo à capital cearense, conflagrada por tropas rebeladas por melhores soldos, ministro da Justiça declarou que forças federais se deslocaram até o Estado 'para serenar os ânimos, não para acirra-los'

Pepita Ortega e Fausto Macedo

24 de fevereiro de 2020 | 14h53

Membros da Força Nacional patrulham ruas de Fortaleza, no Ceará, após greve e motim de PMs no Estado Foto: REUTERS/Lucas Moura

Depois de sobrevoar Fortaleza conflagrada por tropas amotinadas, o ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) conclamou, na manhã desta segunda de carnaval, 24: “Temos que colocar a cabeça no lugar.”

“Pensar o que é necessário daqui em diante para solucionarmos essa crise específica, para os policiais poderem voltar a realizar o seu trabalho. Esse é o ponto”, disse Moro, que chegou à capital cearense acompanhado do ministro Fernando Azevedo (Defesa) e do chefe da Advocacia-Geral da União, André Mendonça.

Desde a deflagração do movimento paredista, o Ceará conta 147 assassinatos. O motim teve início por falta de acordo dos PMs com o governo do Estado quanto à reestruturação salarial.

Os ministros Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) e Fernando Azevedo (Defesa) e o advogado-geral da União André Mendonça sobrevoam a capital cearense. Foto: Alexandre Manfrim / Ministério da Defesa

Já durante entrevista coletiva na sede do Palácio da Abolição, sede do governo estadual, Moro afirmou: “O governo federal veio para permitir que o governo (estadual) possa resolver essa situação sem que nesse lapso temporal a população fique desprotegida.”

“Nosso trabalho é exclusivamente garantir proteção da população diante dessa paralisação. O envio (das forças federais) é para garantir a tranquilidade e a segurança da população”, declarou ainda o ministro.

Indagado sobre uma eventual reintegração de posse dos quartéis tomados por soldados rebelados, o ministro da Justiça disse: “Viemos aqui para serenar os ânimos e não para acirra-los. O governo federal veio aqui para substituir essa ausência das polícias. Serenar é importante.”

Estrategicamente, Moro enfatizou a importância dos PMs nas ruas. “Os policiais, no país inteiro, são profissionais dedicados que arriscam, muitas vezes, a sua vida pela vida de outro, proteção, seja pela incolumidade da vida ou do patrimônio do outro. São profissionais que devem ser valorizados. É momento de pensar em servir e proteger, serenar os ânimos”, afirmou.