Temos de pensar na formação dos gestores públicos

Temos de pensar na formação dos gestores públicos

Mario Pascarelli*

07 de abril de 2020 | 10h00

Professor Mario Pascarelli. FOTO: FERNANDO SILVEIRA

Estamos atravessando uma das piores fases de nossa história, onde se misturam recessão econômica, problemas políticos, questões climáticas, todos eles agravados pela pandemia do coronavírus (covid-19), em uma crise sem precedentes.

No caso do Brasil, além da divergência de opiniões sobre a importância da saúde sobre a economia (e vice-versa), está em aberto a realização ou não das eleições que escolherão os chefes dos Executivos Municipais e os membros que comporão o Legislativo local. O desejo é que a situação se normalize o mais rápido possível, para que possamos ir às urnas no último trimestre deste ano.

Tomando essa perspectiva mais positiva, quero propor uma reflexão sobre a importância que esta próxima eleição terá na vida dos brasileiros. É claro que vivemos uma pandemia global, a diretriz federal continua importantíssima e a coordenação dos governadores tem sido uma luz no final deste túnel que atravessamos. Mas será nos 5.600 municípios brasileiros que a guerra contra o coronavírus tomará sua forma mais real, próxima e vital.

Daí a pergunta: mesmo antes da atual pandemia, essas milhares de prefeituras e legislativos municipais contavam realmente com pessoas capazes de lidar com a complexidade de uma cidade, por menor que ela seja? Mesmo após a eliminação do coronavírus, os problemas de moradia, água, esgoto, urbanismo e outros contarão com olhares e ações de pessoas qualificadas para essa tarefa?

Diante do questionamento sofrido pelos partidos tradicionais, os grupos de formação de novas lideranças têm ocupado um espaço relevante na formação política. Mas acredito que ainda carecemos de uma capacitação mais direcionada ao dia a dia da gestão de Estados e, especialmente, municípios.

Com a dimensão do território nacional e a complexidade de nossa estrutura como sociedade, levar essa capacitação a tantas localidades é um desafio. Mas, no momento em que nossos jovens cumprem suas atribuições escolares e acadêmicas isolados em seus lares, por meio de ferramentas modernas de ensino, essa é uma desculpa que já não cabe mais.

Se há consenso sobre a necessidade de contarmos com lideranças municipais mais capacitadas, e a academia conta com boa pesquisa e know-how que podem ser direcionados ao bem comum, precisamos avançar em meios de promover essa intersecção de esforços.

Fala-se muito em promover a aproximação e a atuação conjunta entre universidades e empresas, para troca a troca de conhecimento que gere riquezas. Países que avançaram nesse aspecto ocupam papel de liderança na economia global. Isso só reforça a importância de promovermos a mesma política no caso de nossas autoridades, atuais e futuras.

As autoridades federais, estaduais e municipais têm, neste momento, uma tarefa de altíssima complexidade, para garantir a assistência, a segurança e o bem-estar de todos os cidadãos. Mas, pensando no futuro, tão logo a atual epidemia seja vencida, sabemos que antigos problemas – inclusive na saúde – estarão à espera de soluções que passam pela boa formação de nossos gestores públicos.

*Mario Pascarelli é coordenador da pós-graduação à distância em Gerente de Cidade da Faculdade Armando Alvares Penteado (Faap)

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