Temer reassumiu PMDB para ‘controlar recursos’, diz Machado

Temer reassumiu PMDB para ‘controlar recursos’, diz Machado

Doação de R$ 40 milhões do grupo JBS a senadores do PMDB, em 2014, a pedido do PT, provocou ciumeira de parlamentares da legenda na Câmara, forçando intervenção do hoje presidente em exercício, segundo delator da Lava Jato

Julia Affonso, Fausto Macedo, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt, Isadora Peron e Gustavo Aguiar

15 de junho de 2016 | 16h20

O presidente em exercício Michel Temer deiixa a casa oficial do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, após reunião em que também participaram o senador Romero Jucá e o presidente do (PMDB-BA) Geddel Vieira Lima, em Brasilia (DF). Foto: Wilton Júnior/Estadão

O presidente em exercício Michel Temer deixa a casa oficial do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (à dir.), após reunião em que também participaram o senador Romero Jucá (à esq.) e o presidente do (PMDB-BA) Geddel Vieira Lima (ao fundo), em Brasilia (DF). Foto: Wilton Júnior/Estadão

Em um dos termos de sua delação, denominado ‘acordo PMDB-PT’, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou que o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) reassumiu a presidência da legenda, em 2014, para ‘controlar a destinação dos recursos do partido’. Sérgio Machado narrou uma suposta reclamação da bancada peemedebista na Câmara sobre uma doação de R$ 40 milhões do grupo alimentício JBS aos senadores do partido.

O depoimento de Sérgio Machado foi prestado em 6 de maio.

“Essa informação chegou ao conhecimento da bancada do PMDB na Câmara; que bancada da Câmara foi se queixou a Michel Temer; que esse fato fez com que Michel Temer reassumisse a presidência do PMDB visando controlar a destinação dos recursos do partido; que o depoente não sabe dizer se o grupo JBS obteve algum favorecimento em troca dessa doação”, relatou.

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A doação milionária para o PMDB teria sido pedida pelo PT, segundo Sérgio Machado, para as eleições de 2014. À época, PT e PMDB eram unha e carne e disputavam juntos a Presidência da República, com a petista Dilma Rousseff e o peemedebista Michel Temer.

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“O depoente ouviu de diversos senadores nas reuniões na casa do Renan que o grupo JBS iria fazer doações ao PMDB, a pedido do PT, na ordem de R$ 40 milhões; que essa informação foi posteriormente confirmada ao depoente pelo diretor de Relações Institucionais da JBS, ou seja, que este grupo empresarial iria fazer doações no valor de R$ 40 milhões à bancada do Senado do PMDB, a pedido do PT, nas eleições de 2014”, relatou Sérgio Machado.

“Esse valor era apenas para a bancada do senado; que essa doação seria fei por meio da JBS; que, no que diz respeito ao PMDB, seriam conte lados por doações da JBS diversos senadores, dentre os quais: Renan Calheiros, Jader Barbalho, Romero Jucá, Eunício Oliveira, Vital do Rêgo, Eduardo Braga, Edison Lobão, Valdir Raupp, Roberto Requião e outros; que não sabe dizer quem do PT receberia esse apoio da JBS.”

COM A PALAVRA, MICHEL TEMER

“Em toda vida pública, o presidente em exercício Michel Temer sempre respeitou os limites legais para buscar recursos para campanhas eleitorais. Jamais permitiu arrecadação fora dos ditames da lei, seja para si, para o partido e, muito menos, para outros candidatos que apoiou em disputas. É absolutamente inverídica a versão de que teria solicitado recursos ilícitos ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado – pessoa com quem mantinha relacionamento apenas formal e sem nenhuma proximidade.”

COM A PALAVRA, A JBS

A JBS reitera que as doações para campanhas eleitorais foram realizadas de acordo com as regulamentações do TSE. A empresa esclarece que o seu diretor de Relações Institucionais não participou de nenhuma reunião e lamenta que mais uma vez a empresa esteja envolvida em acusações que agridem, de forma infundada, sua imagem, marcas, reputação e conduta ética.

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