Temer pressionou presidente do BNDES por JBS, diz Joesley à PF

Temer pressionou presidente do BNDES por JBS, diz Joesley à PF

Segundo o delator, o ex-ministro Geddel Vieira Lima lhe contou que o presidente teria chamado Maria Silvia "em seu gabinete em Brasilia para pressioná-Ia no sentido de atender ao pleito" da empresa

Fabio Serapião

20 de junho de 2017 | 22h23

Michel Temer. Foto: Reprodução

O empresário Joesley Batista, da JBS, narrou em seu depoimento ao delegado federal Marlon Cajado dos Santos que o presidente Michel Temer “pressionou” a então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) Maria Silvia Bastos Marques para favorecer a JBS.

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Segundo o delator, o ex-ministro Geddel Vieira Lima lhe contou que o presidente teria chamado Maria Silvia “em seu gabinete em Brasilia para pressioná-Ia no sentido de atender ao pleito do depoente (Joesley)”.

O objetivo da pressão, segundo Joesley, era evitar que o BNDES vetasse a reestruturação societária da JBS no exterior. A proposta de reestruturação foi apresentada em 2016, e previa a criação de uma nova empresa no exterior com o Brasil sendo apenas uma filial.

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O BNDES barrou a operação proposta pela JBS. “(..) soube, por Geddel que o Presidente teria chamado a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, em seu gabinete em Brasília para pressioná-la no sentido de atender ao pleito do depoente. Que esse assunto foi inclusive narrado no dia 7 de março e consta nos autos em que o presidente confirma que viajou ao Rio de Janeiro para tentar interceder em favor do declarante”, diz o empresário em seu depoimento.

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Ainda de acordo com Joesley, ao procurar Geddel para expor a demanda do grupo o ex-ministro teria dito que seria preciso falar com o atual Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Para angariar o apoio do ministro, diz Joesley, foi realizado um jantar na sua casa para tratar do assunto.

A reportagem procurou a assessoria do BNDES na noite desta terça-feira (20), mas não conseguiu contato até o fechamento desta edição. À tarde, o advogado do presidente Temer, Antonio Cláudio Mariz, havia informado que a defesa entende ser desnecessário “qualquer pronunciamento neste momento” em relação ao relatório parcial da PF. “Não vamos responder, pois na verdade um relatório sobre investigações deveria ser apenas um relato das mesmas investigações, e não uma peça acusatória. Autoridade policial não acusa, investiga”, afirmou Mariz.

COM A PALAVRA, O BNDES

A ex-presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques participou de reunião, dia 24 de outubro de 2016, com o presidente Michel Temer, acompanhada pelos diretores jurídico e de mercado de capitais do BNDES, sobre a operação de internacionalização da JBS e o direito de veto da BNDESPAR. O presidente somente ouviu informações sobre as razões que levaram o Banco a vetar a operação, não tendo solicitado que a diretoria alterasse a sua decisão.