Temer nega que tenha pedido a Loures que recebesse ‘qualquer recurso de campanha’

Temer nega que tenha pedido a Loures que recebesse ‘qualquer recurso de campanha’

Presidente é investigado em inquérito que apura se a Rodrimar, empresa que opera no Porto de Santos, foi beneficiada pelo decreto assinado pelo presidente em maio do ano passado

Amanda Pupo, Fábio Serapião e Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

18 Janeiro 2018 | 16h20

Michel Temer e Rodrigo Rocha Loures. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Em resposta as perguntas elaboradas pela Polícia Federal na investigação que apura sobre um suposto esquema de corrupção no Porto de Santos, o Presidente da República afirma que nunca solicitou que Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor de Temer e ex-deputado federal, recebesse recursos em seu nome em retribuição pela edição de normas contidas no Decreto dos Portos.

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Temer também nega que tenha solicitado a Loures que recebesse qualquer recurso de campanha, nem do Grupo JBS, ou de qualquer outra origem em seu nome.

Em outra resposta, Temer diz nunca determinou que seu ex-assessor, ainda quando era vice-presidente da República, acompanhasse as questões das concessões do setor portuário, “não sendo do meu conhecimento se alguém o procurou para tal finalidade”, completa.

Quando a PF questiona o porquê de representantes das empresas concessionárias do setor de portos procurarem Rocha Loures em 2016, Temer reafirma que não determinou que o então assessor acompanhasse as questões das concessões das empresas.

Sobre um “contato intenso” entre Rocha Loures e Ricardo Mesquita, diretor da Rodrimar, Temer afirmou de que não foi informado. Nessa resposta, o presidente ainda esclarece que Loures foi seu assessor porque “depositava confiança quanto ao exercício das funções inerentes à sua assessoria”, disse.

A investigação. Sob relatoria do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), o caso investiga se a Rodrimar, empresa que opera no Porto de Santos, foi beneficiada pelo decreto assinado pelo presidente em maio do ano passado, que ampliou de 25 para 35 anos as concessões do setor, prorrogáveis por até 70 anos.

Além do presidente e seu ex-assessor, são investigados o dono da Rodrimar, Antônio Celso Grecco, e o diretor da empresa, Ricardo Conrado Mesquita.

Em depoimento a PF no ano passado, Loures negou que tenha recebido qualquer recurso por meio de doação eleitoral da Rodrimar ou de qualquer outra empresa ligada ao setor portuário. O ex-assessor de Temer disse ainda não saber se o presidente tem alguma vinculação com o setor portuário, em especial com os negócios da Rodrimar ou das outras concessionárias baseadas no Porto de Santos.

Loures afirmou que conhece Mesquita e Grecco porque, em 2013, quando acompanhava a edição da então nova Lei dos Portos, teve contato com representantes de empresas e associações portuárias. “Mesquita representava a Associação Brasileira de Terminais Portuários, a ABTP, e não exclusivamente o Grupo Rodrimar”, disse Loures. O ex-assessor relatou ainda que, em 2016, reencontrou Grecco, mas não conversaram sobre o setor portuário.

Em abril de 2017, Loures foi flagrado carregando uma mala com R$ 500 mil em dinheiro em espécie entregue por um executivo do Grupo J&F. Segundo o empresário Joesley Batista, o dinheiro era parte de propina para que Loures, sob indicação de Temer, facilitasse o andamento de uma demanda do grupo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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