Temer diz que delações atentam contra seu ‘vocabulário’ e ‘inteligência’

Temer diz que delações atentam contra seu ‘vocabulário’ e ‘inteligência’

Presidente criticou depoimentos da JBS em seu segundo pronunciamento após o início da crise política

Thaís Barcellos, Aline Bronzati e Álvaro Campos

20 de maio de 2017 | 16h29

Michel Temer. Foto: Wilton Júnior/Estadão

O presidente Michel Temer afirmou que a delação da JBS atentou contra “o seu “vocabulário” e a sua “inteligência”. Essa foi uma das críticas feitas pelo peemedebista em seu segundo pronunciamento após o início da crise política provocada pelos depoimentos à Justiça de executivos da multinacional brasileira.

Ao mencionar as inconsistências entre a delação e o áudio que comprovaria as denúncias do sócio da empresa, Joesley Batista, Temer diz que houve falso testemunho à Justiça. E completa: “Chegam ao desplante de me atribuir frases, falas ou senhas ou palavras chulas que jamais cometeria. Atentam contra o meu vocabulário e a minha inteligência.”

Na conversa com Temer no Palácio do Jaburu, em 7 de março, Joesley disse que estava “de bem” com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso pela Lava Jato. “Tem que manter isso, viu?”, respondeu Temer. Em seguida, Joesley acrescentou: “Todo mês”. Parte do diálogo, porém, é inaudível.

O empresário também contou a Temer que estava comprando um procurador e “dando conta” de dois juízes para barrar uma investigação sobre empresa do grupo J&F, holding que administra a JBS. “Ótimo”, afirmou Temer. À Procuradoria-Geral da República, Joesley disse que, a pedido do presidente, pagou a ele R$ 4,7 milhões de 2010 a março de 2017.

Já o diretor da JBS Ricardo Saud disse à Procuradoria que Joesley e Temer tinham uma senha em comum para se referir às mesadas pagas a Cunha e ao operador Lúcio Funaro na cadeia. “O código era ‘tá dando alpiste pros passarinhos? Os passarinhos tão tranquilos na gaiola?” Temer disse neste sábado que a expressão chula usada pelo delator ofende sua inteligência.

O presidente será investigado no Supremo por suspeita de corrupção passiva, obstrução à investigação e participação em organização criminosa. O pedido de abertura de inquérito foi feito pela Procuradoria-Geral da República e autorizado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, contra Temer, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor especial do presidente que foi filmado com uma mala de dinheiro.

A defesa tenta desqualificar Joesley, sob o argumento de que o empresário se valeu de uma delação falsa com o único objetivo de obter benefícios para ele e sua companhia.

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