Temer afasta quatro vices da Caixa

Temer afasta quatro vices da Caixa

Decisão foi divulgada em nota pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, logo após procuradores da força-tarefa Greenfield alertarem para a possibilidade de punição ao presidente. Veja quem são eles

Carla Araújo e Fabio Serapião

16 Janeiro 2018 | 17h50

Michel Temer. Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Após recomendação do Banco Central (BC) e do alerta do Ministério Público Federal (MPF) sobre uma possível punição, o presidente Michel Temer determinou ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e ao presidente da Caixa, Gilberto Occhi, que afastem, por tempo indeterminado, quatro vice-presidentes do banco que estão sendo investigados por corrupção. Depois da ordem do presidente, a Caixa informou que vai afastar os executivos para que eles possam “apresentar ampla defesa das acusações”.

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Serão afastados os vice-presidentes Antônio Carlos Ferreira (Corporativo), Deusdina dos Reis Pereira (Fundos de Governo e Loterias), José Henrique Marques da Cruz (Clientes, Negócios e Transformação Digital) e Roberto Derziê de Sant’Anna (Governo). Eles são acusados de vazamento de informações privilegiadas para políticos sobre o andamento de pedidos de empréstimos e também de negociar cargo em uma estatal como moeda de troca para liberação de crédito.

Auditoria aponta ação política na Caixa

Embora o afastamento dos quatro seja temporário, a decisão de Temer significa uma derrota na queda de braço que o governo vinha travando com os procuradores da força-tarefa Greenfield. Em dezembro, os procuradores responsáveis pela investigação sobre desvios na Caixa recomendaram o afastamento dos 12 vice-presidentes do banco. Em resposta, a Caixa disse que não cumpriria as recomendações porque possui “um sistema de governança adequado à Lei das Estatais”.

A orientação do MPF, negada pela Caixa, tinha como base uma investigação independente contratada pela própria Caixa. Como mostrou a edição de ontem do Estado, a auditoria detectou casos de influência política no banco em ao menos quatro vice-presidências. O documento foi produzido pelo escritório Pinheiro Neto e foi anexado aos processos relacionados ao banco para reforçar as denúncias contra políticos e ex-funcionários que atuariam em favor de grandes empresas.

Após a primeira negativa de Temer e da Caixa em afastar os executivos, os procuradores da Greenfield se reuniram com representantes do BC na semana passada para debater a situação dos vice-presidentes. Com base nessa reunião, os investigadores enviaram, no dia 11, um ofício endereçado à Presidência da República no qual alertavam para a possibilidade de punição de Temer por conta da manutenção dos executivos.

Após a reunião com os procuradores, o próprio BC tomou a iniciativa de enviar ofício para a Caixa com a recomendação de afastamento dos vice-presidentes. No documento encaminhado a Ana Paula Vescovi, secretária do Tesouro e presidente do Conselho de Administração da Caixa, o diretor de Fiscalização do BC Paulo Sergio Neves de Souza afirma que o relatório interno produzido pelo escritório Pinheiro Neto aponta que o banco público está exposto a riscos anormais, “especialmente riscos de imagem”.

No ofício enviado a Ana Paula, Neves lembra que o governo estabeleceu exigências para habilitar pessoas a cargos em instituições financeiras privadas, mas não pode fazer isso em bancos públicos federais. No entanto, diz que as mesmas regras deveriam ser seguidas pelas instituições oficiais, principalmente em relação à reputação dos interessados em assumir esses cargos.

Meirelles disse que o governo marcou para o dia 19 deste mês reunião da assembleia-geral da Caixa para aprovar o novo estatuto do banco. O MPF deu prazo de 60 dias para o banco tornar mais objetiva e transparente a contratação de vice-presidentes. O ministro afirmou que a medida tomada pelo presidente foi em caráter de urgência e que a decisão final caberá ao conselho de administração do banco. “Um novo estatuto está sendo aprovado e a partir daí o conselho assume o total controle do processo de nomeação e exoneração de vice-presidentes e de outros executivos da Caixa”, afirmou.

 

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