‘Tem que perguntar para essas pessoas até onde elas foram’

Rodrigo Janot nega 'sanha investigatória' do Ministério Público e aponta para a ousadia de corruptos que caíram na malha fina da Lava Jato

Da Redação

06 de julho de 2017 | 13h59

O procurador-geral da República Rodrigo Janot afirma que ‘não há sanha investigatória do Ministério Público’. Ao ser indagado pelo jornalista Roberto D’Avila, da Globo News, se a Procuradoria não promove ‘perseguição, uma sanha condenatória, às vezes’, Janot declarou.

“Me perguntam ‘até onde vocês vão?’, ‘será que é uma sanha investigatória?’. Eu digo: vocês não têm que perguntar para o Ministério Público até onde ele vai, vocês têm que perguntar para essas pessoas até onde elas foram.”

Essas pessoas’, nas palavras de Janot, são políticos e gestores públicos pilhados na Operação Lava Jato em malfeitos e atos de corrupção. A Lava Jato é a maior investigação já desfechada no País contra fraudes e desvios de recursos públicos.

“Até onde elas (essas pessoas) foram nós também temos que ir”, avisa o procurador. “Nós temos o monopólio constitucional da investigação e da ação penal pública. Não podemos nos omitir.”

Indagado sobre qual foi o pior dia desses quase quatro anos de mandato – ele deixa a Procuradoria-Geral em setembro -, Janot reportou-se ao episódio do procurador da República Ângelo Goulart, preso no dia 18 de maio sob acusação de agir como infiltrado da JBS em troca de informações privilegiadas de processo sobre desvios bilionários dos maiores fundos de pensão do país.

“Passei dias muito difíceis, mas um especificamente, quando eu tive que pedir a prisão do meu colega”, relatou Janot. “Olha, me emociono com isso aqui. A gente acompanha essas diligências quando elas vão para a rua, monitora, se houver algum problema, necessidade de alguma extensão, a gente faz. Eu pedi que fosse informado quando entrassem na casa dele (Ângelo Goulart) para executar a prisão. Quando eu fui informado vomitei quatro vezes. Sou um sujeito experiente, tenho 33 anos de Ministério Público, pouca coisa me afetou assim, de maneira tão contundente, quanto essa. Esse foi um dia muito difícil para mim.”

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