‘Tem que manter isso, viu?’, disse Temer sobre mesada a Eduardo Cunha, segundo Joesley

‘Tem que manter isso, viu?’, disse Temer sobre mesada a Eduardo Cunha, segundo Joesley

Dono do Grupo JBS diz que gravou conversa na noite de 7 de março em que presidente teria concordado com pagamentos milionários em troca do silêncio do ex-presidente da Câmara e de seu antigo aliado Lúcio Funaro

Da Redação

17 de maio de 2017 | 20h32

Michel Temer. Foto: Dida Sampaio/Estadão

‘Tem que manter isso, viu?’, disse o presidente Michel Temer (PMDB) sobre mesada milionária ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), segundo revelou o executivo Joesley Batista, do Grupo JBS.

A informação foi revelada com exclusividade pelo jornalista Lauro Jardim, no site do jornal O Globo.

Joesley diz ter gravado conversa com Temer na noite de 7 de março durante reunião de cerca de 40 minutos no Palácio do Jaburu.

O executivo disse que comentou detalhes com o presidente da mesada também paga ao lobista Lúcio Funaro, antigo aliado de Cunha. Os dois estão presos – o ex-deputado pegou 15 anos e quatro meses de condenação imposta pelo juiz federal Sérgio Moro; o lobista está custodiado preventivamente em Brasília.

Em depoimento aos procuradores da força-tarefa da Lava Jato, Joesley disse que ‘não foi’ Temer quem determinou a mesada a Eduardo Cunha. Mas ele afirma que o presidente ‘tinha pleno conhecimento’ da operação pelo silêncio do peemedebista.

Os pagamentos ilícitos foram monitorados pela Polícia Federal. O procedimento é denominado ‘ação controlada’ – com autorização judicial, agentes seguem os alvos, fazem filmagens e gravações ambientais.

Um repasse filmado foi de R$ 400 mil para uma irmã de Funaro, Roberta.

COM A PALAVRA, MICHEL TEMER

NOTA À IMPRENSA

O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar.

O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República.

O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados.

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