Telemetria: chega ao Brasil o sistema que veio para inovar a neuromonitorização

Telemetria: chega ao Brasil o sistema que veio para inovar a neuromonitorização

Fernando Campos Gomes*

19 de abril de 2021 | 05h30

Fernando Campos Gomes. FOTO: DIVULGAÇÃO

Os especialistas do cérebro vêm buscando formas de tratar pacientes com doenças neurológicas e neurocirúrgicas, oferecendo as melhores práticas existentes, com respeito e atenção às suas necessidades e com o objetivo de melhoria da qualidade de vida. Em meio às diversas pesquisas e estudos, um novo produto, que já está sendo utilizado nos principais centros de referências neurológicas e neurocirúrgicas  no mundo, e agora chegou ao Brasil, vem contribuir ainda mais para  ajudar na interpretação das diversas doenças e  patologias cerebrais.

Conhecido como cateter de pressão intracraniana por longo prazo de permanência, o cateter Neurovent P-Tel, Raumedic (Cateter de Telemetria), ou seja a implantação do cateter telemétrico da PIC, é útil em pacientes com distúrbios dinâmicos complicados do LCR que, de outra forma, exigiria várias intervenções neurocirúrgicas. A ideia é implantar um cateter de pressão intracraniana no paciente para monitorá-lo após alguma cirurgia, acidente ou até mesmo algum período de internação.

O grande diferencial dessa tecnologia é que possibilita a continuidade do monitoramento dos parâmetros neurológicos do paciente fora do ambiente hospitalar, método viável para orientar o ajuste das configurações programáveis ​​da válvula e para identificar pacientes com problemas de shunt crônicos ou repetidos, são uns dos exemplos. É uma tecnologia que veio para quebrar paradigmas das doenças cerebrais e propiciar aos médicos informações importantes para definição de condutas médicas. O monitor capta os dados do paciente e é gerado um relatório com todas as informações e curvas para análise do médico. Por meio deste relatório, é possível identificar a integridade da válvula, fluxo de pressão intracraniana, pseudotumor, hidrocefalia de pressão normal, cranioestenose  e até mesmo modificar o curso do tratamento.

A neurocirurgia é a que tem mais necessidade de buscar avanços na medicina.  Após a cirurgia corretiva, o aumento da PIC persiste ou reaparece em um subgrupo de pacientes. O procedimento padrão para monitorar a PIC é a inserção de uma cateter intraparenquimatosa percutânea por um período limitado, geralmente de 24 a 120 horas. No entanto, em pacientes selecionados, medições repetidas de PIC podem ser úteis no ambiente clínico, e um método minimamente invasivo para conseguir isso seria desejável. Este sistema, uma vez implantado, traz uma vantagem em termos de acompanhamento bastante forte.

Além de evitar infecções com o procedimento, é possível avaliar a pressão em situações do dia a dia do paciente, depois que ele sai do hospital, quando está em pé, deitado, caminhando ou fazendo ações da rotina.

A telemetria torna o processo mais seguro, com mais elementos para tomada de decisão. Com esse recurso adicional não preciso esperar o paciente piorar para tomar uma conduta, por exemplo, se o paciente não precisa mais da válvula de drenagem posso tirar sem arriscar, consigo ter uma noção da pressão intracraniana, isso acaba sendo muito vantajoso. Antes, quando não tínhamos essa precisão, não havia muita margem de segurança. É importante ter acesso a essas informações, pois quando a pressão do paciente aumenta, ele pode chegar a coma e até falecer.

O procedimento pode ser utilizado por pacientes de todas as idades. O cateter de Telemetria pode ser utilizado em qualquer pessoa que tenha sofrido algum tipo de trauma neurológico ou alguém que tenha realizado uma neurocirurgia. Indicamos para o diagnóstico de doenças neurocirúrgicas com aumento da pressão intracraniana, são diagnósticos podemos notar alteração na pressão intracraniana e valvular. Caso seja necessário regular a pressão para voltar ao equilíbrio, podemos fazer isso dentro do consultório e ter uma resposta no mesmo momento.

*Fernando Campos Gomes é médico neurocirurgião, neurocientista e comunicador brasileiro, também é doutor e livre-docente em neurocirurgia, fundador e coordenador geral do Grupo de Hidrodinâmica Cerebral do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Além disso, é parceiro da Hemocat, que atua no desenvolvimento do mercado de saúde brasileiro, importando, distribuindo e comercializando dispositivos médicos diferenciados e de alta qualidade

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