Tecnologia para pagamentos: as principais diferenças entre Facebook Pay e PIX

Tecnologia para pagamentos: as principais diferenças entre Facebook Pay e PIX

Rafael Negherbon*

28 de julho de 2020 | 18h00

Rafael Negherbon. Foto: Divulgação

Nos últimos dias uma notícia tem gerado rumor no setor financeiro: a chegada do Facebook Pay, que, depois de testes na Índia, deve ser apresentado ao Brasil em julho. Por meio do aplicativo do WhatsApp qualquer usuário poderá enviar e/ou receber dinheiro, assim como pagar por serviços e produtos, sendo possível transferir até R$ 1.000 para um de seus contatos, realizando até 20 transações por dia. O valor total das transferências é limitado a R$ 5.000 por mês. O novo serviço vem sendo comparado com o PIX, modalidade de pagamentos instantâneos que está em desenvolvimento pelo Banco Central. Neste artigo compartilho a minha percepção sobre as principais diferenças entre os serviços.

Em primeiro lugar, é necessário entender que, em resumo, o PIX é a solução de pagamento instantâneo, criada e gerida pelo Banco Central do Brasil (BC), que proporciona a realização de transferências e de pagamentos com SLA máximo de 10 segundos entre o pagador e o recebedor. Todas as transações podem ser iniciadas por meio do celular, sem necessidade de qualquer outro instrumento, por meio da leitura de QR Code — o Facebook Pay não trabalha com esta modalidade.

No Facebook Pay, os usuários do WhatsApp poderão transferir dinheiro para outra pessoa em sua lista de contatos utilizando um cartão de débito válido, desde que ambos tenham uma conta bancária em um dos bancos parceiros e que esta esteja associada ao WhatsApp. Até o momento apenas os cartões emitidos pelo Banco do Brasil, Nubank e Sicredi são elegíveis.A conclusão da transferência ocorre por senha ou reconhecimento biométrico.

Depois destas informações iniciais, compartilho as diferenças e as semelhanças entre as duas formas de pagamento:

A principal diferença, eu diria que é entre as funções de crédito e débito. O Facebook Pay tem como possibilidade pagamentos em crédito e débito, enquanto o PIX é uma transferência direta entre contas transacionais (conta corrente ou de pagamento), podendo se dizer que ele substitui a TED e o DOC. Outro ponto importante é o tempo de liquidação, no Facebook Pay a compensação não é instantânea para lojistas — a transação será processada pela Cielo e, em caso de débito, o beneficiário recebe o dinheiro no dia seguinte, ou em dois dias, se for por crédito. No PIX é instantâneo e os participantes diretos dessa modalidade de pagamento têm as Contas de Pagamentos Instantâneos.

Além disso, no cadastro, o PIX dispensa o cartão, mas exige uma conta bancária . Já o Facebook Pay só necessita dos dados de um cartão de crédito ou débito. Uma outra diferença marcante é o custo, no Facebook Pay as transferências entre usuários serão gratuitas, mas o pagamentos para varejo terão custo de 3,99%. No PIX cada participante terá liberdade para definir o preço, mas com supervisão do BC. A tarifa levará em conta o custo por transação cobrado pelo Banco Central do beneficiário, que será de um décimo de centavo.

*Rafael Negherbon, CTO da Transfeera

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.