Tecnologia orientada a salvar vidas: como os dados vão definir o futuro da Saúde no Brasil

Tecnologia orientada a salvar vidas: como os dados vão definir o futuro da Saúde no Brasil

Douglas Pesavento*

26 de julho de 2021 | 04h00

Douglas Pesavento. FOTO: DIVULGAÇÃO

A Saúde é o maior problema do país na visão dos brasileiros. Pesquisas indicam que quase um terço da população elege a área como a mais problemática quando consideradas as responsabilidades do governo federal. Ao longo do último ano foram cerca de 550 mil vidas perdidas para a Covid-19 no Brasil, em meio a uma contagem que persiste. Isso somado a desafios já conhecidos, como o descompasso entre a oferta e a demanda por leitos hospitalares, as longas filas de espera para exames e consultas, além de outros percalços que precisam ser superados, especialmente, no sistema público de Saúde. Por outro lado, existe uma mobilização conjunta em todo o mundo focada em dar respostas rápidas à crise sanitária e que tende a produzir avanços duradouros para além da pandemia no setor, possibilitando também uma mudança de paradigma na gestão da Saúde no Brasil.

A ciência de precisão, as novas tecnologias e o apoio de instituições públicas e privadas e da própria sociedade em curso hoje é vital para, no futuro, termos armas ainda mais ágeis na luta contra possíveis patógenos que possam surgir ou mesmo para reformular a forma de conexão entre as unidades de saúde, seus profissionais e pacientes. Nesse aspecto, dentre as vertentes que se destacam estão a Internet das Coisas (IoT), a Inteligência Artificial (IA) e o Big Data para a Saúde, que vem permitindo que dispositivos conectados levantem e compartilhem uma infinidade de dados contínuos e importantes para plataformas digitais. Sistemas estes, capazes de permitir análises e tomadas de ação preditivas, reativas ou corretivas em tempo real, por meio de aparelhos móveis, aos profissionais que utilizam esses recursos na gestão hospitalar.

O próximo grande passo está ligado a ensinar as tecnologias de Inteligência Artificial (IA) a interpretarem os dados gerados dentro desse campo da IoT para tornar a Saúde mais eficiente, assertiva, transparente e acessível. O aprendizado das máquinas é uma realidade que aos poucos domina o mercado e já está ajudando pesquisadores a desenvolverem e aprimorarem a produção de vacinas da Covid-19 no Brasil e em outros países, por exemplo. Essa também é vista no horizonte como uma área chave para investimento na avaliação da maioria dos líderes de saúde, que tem como prioridade agora atender demandas urgentes para controlar a pandemia.

O relatório “The Future Health Index 2021”, que ouviu mais de três mil gestores em Saúde de 14 países (incluindo o Brasil), aponta que os líderes do setor estão usando atualmente as tecnologias de IA para otimizar a eficiência operacional (19%) e devem ampliar sua utilização ainda mais em três anos (37%). No período, os principais investimentos serão em tecnologias capazes de integrar diagnósticos (32%), prever resultados (30%) e para apoio à decisão clínica (24%).

É válido ressaltar que a tecnologia pode e deve subir a régua quando se trata de dispositivos capazes de melhorar serviços e processos ou mesmo, lá na ponta, servir para preservar vidas. Um dos exemplos práticos são as oportunidades de aplicação da IoT na cadeia fria da Saúde, que por meio de sensores de monitoramento consegue vigilar a manutenção de temperatura e umidade conforme padrões determinados pela indústria farmacêutica. São esses medidores que lançam os dados de câmaras frias, ambientes e refrigeradores para controle imediato e servem de alerta para possíveis falhas que possam vir a prejudicar a qualidade e a eficácia de insumos, vacinas e medicamentos termolábeis antes de chegarem a cada paciente. Sistemas dessa natureza estão em expansão no Brasil e já estão presentes em grandes aeroportos e operadores logísticos, centros de pesquisa, clínicas e laboratórios, além de hospitais e unidades básicas de saúde.

Outros dispositivos de IoT também costumam interligar sensores, monitores, aparelhos de detecção, sistemas de visão e outros aparelhos e têm seus dados processados, padronizados e disponibilizados em “nuvem” para proporcionar a tomada de decisões baseada em informações de Big Data. Suas utilizações envolvem sistemas de segurança, medidores de gás-beira leito, higienizadores de ambientes inteligentes, termostatos digitais, entre outras inovações de alta confiabilidade para a preservação de produtos, ambientes, otimização operacionais e financeiras e a garantia de conforto e segurança de profissionais da saúde e pacientes.

Em meio ao caos, a tecnologia se estabelece como uma gigante na redefinição da Saúde e também para as perspectivas de negócio: consultorias de mercado internacionais apontam para uma taxa de crescimento anual de 39% para o mercado global de IoT para a Saúde, o que representa um salto de US$ 188,2 bilhões até 2025, e coloca a digitalização do setor como uma tendência necessária e aliada da saúde pública para nosso presente e futuro.

*Douglas Pesavento, CEO da Sensorweb

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