Tecnologia é o caminho para descongestionar a saúde pública brasileira

Tecnologia é o caminho para descongestionar a saúde pública brasileira

Hugo Begueto*

21 de fevereiro de 2020 | 05h00

Hugo Begueto. FOTO: DIVULGAÇÃO

O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação”, disse o escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde no final do século XIX. Mais de um século depois, esta máxima está mais viva do que nunca, no que depender das startups que têm surgido para resolver problemas na área da Saúde, hoje empresas conhecidas pelo termo em inglês “health techs”.

A saúde pública no Brasil está à beira de um colapso. O Sistema Único de Saúde (SUS) não consegue absorver a demanda dos mais de 150 milhões dos brasileiros – cerca de 72% da população – que não contam com um plano de saúde e encaram enormes filas de espera para consultas, exames e tratamentos na rede pública, ou 5% que pagam por atendimento particular. Já aqueles que contam com algum tipo de plano de saúde arcam com reajustes acima da média da inflação, o que ocasionou mais de 3 milhões de cancelamentos desde 2015, de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Este cenário é mais do que propício para mudanças. Novas alternativas tornaram-se indispensáveis para um sistema mais eficiente e democrático, e as health techs surgem como protagonistas nesta missão. Segundo dados da Startupbase, desde 2015, o Brasil já conta com mais de 400 startups com atuação neste setor, em diferentes fases de operação e oferecendo diversos tipos de serviços.

Se encararmos a Saúde como negócio, nosso país é o maior mercado da América Latina e o sétimo maior do mundo, com uma movimentação superior a 40 bilhões de dólares por ano em cuidados de saúde privada. Entretanto, a oportunidade de impactar milhões de vidas, de variadas maneiras, é um propósito de valor imensurável.

Na Era da Informação, os dados disponíveis proporcionam uma infinidade de possibilidades para as health techs, com soluções para todas as etapas – prevenção ao diagnóstico e tratamento de doenças – e necessidades para todos os níveis da cadeia: médicos, laboratórios, clínicas, hospitais e pacientes – ao desenvolverem serviços para apoiar a gestão, automação e logística.

Não é admissível que, com toda a tecnologia atual, os gargalos na saúde continuem tão grandes. Descongestionar o SUS precisa ser prioridade, há uma grande rede de médicos, laboratórios e clínicas de qualidade e de alta disponibilidade que podem atuar em diagnósticos e atendimentos de baixa complexidade. Ao mesmo tempo, existe um público enorme com potencial financeiro que começa a procurar alternativas ao atendimento público, as clínicas populares são amostra disso.

Agilizar atendimento, facilitar pagamentos, reduzir sinistralidades para baratear convênios, construir pontes entre profissionais e pacientes, promover envelhecimento com qualidade e até prevenir doenças. Essas são algumas das inúmeras possibilidades de a tecnologia impactar, de forma simples e eficaz, o dia a dia do usuário final. Os dados estão em todos os lugares, basta processá-los para mapear comportamentos, ofertas, demandas, para ajudar uma nova geração de empreendedores a criar soluções que sejam, de fato, resolvedoras dessa dor de quem aguarda tanto por um diagnóstico ou tratamento.

Ao passo em que estamos no início de 2020, que este ciclo fique marcado pelo ano em que as ferramentas digitais entram de vez neste jogo pela vida.

*Hugo Begueto, CEO da Mudi Saúde

Tudo o que sabemos sobre:

ArtigoSaúde

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.