Tecnologia e novas tendências na Medicina

Tecnologia e novas tendências na Medicina

Juliana Hasse*

15 de junho de 2021 | 05h30

Juliana Hasse. FOTO: DIVULGAÇÃO

A tecnologia é uma grande norteadora dos principais avanços que a medicina vem alcançando nos últimos tempos, possibilitando rápidas transformações na área da saúde.

As inovações atingem todo o processo, desde o primeiro atendimento do paciente, passando pelo monitoramento de seus dados e até mesmo possibilitando que o próprio paciente faça o acompanhamento de seus sintomas.

Alguns exemplos de novas tecnologias que têm impactado na saúde e na medicina são a realidade virtual, a “internet das coisas”, a inteligência virtual, a análise de dados para prevenção de doenças e execução de tratamentos e a “Telemedicina”.

A Telemedicina evoluiu sobremaneira durante os últimos tempos e veio para ficar, estando permitida a Teleconsulta realizada diretamente entre médico e paciente, enquanto durar a pandemia provocada pelo novo Covid-19, nos termos da Lei 13.989/20.

São diversos os benefícios que vieram juntamente com a telemedicina, que ampliou caminhos, tais como melhor otimização do tempo dos atendimentos, maior agilidade dos tratamentos e entrega de resultados, redução do tempo de espera para consultas, e até mesmo a possibilidade de armazenamento de dados em ambiente mais seguro.

Consequentemente, algumas inovações tecnológicas se mostram arrojadas e aprimoram a prática da telemedicina, sendo fundamentais para a sua evolução. É o caso da tecnologia 5G, amplamente utilizada por diversos países do mundo.

A tecnologia 5G possibilita a interação em tempo real, por meio digital. Introduz no conceito da saúde novas oportunidades, que podem variar desde a realização de consultas remotas, até mesmo a implementação de hospitais inteligentes. Esta modalidade garante a transferência de dados de forma mais rápida, em um ambiente de conexões mais confiáveis.

A medicina e saúde ganham sobremaneira com isso. As tecnologias 5G envolvem diretamente possibilidades de uso e interação com dispositivos inteligentes, que interagem com o paciente, chegando até mesmo ao uso de realidade aumentada durante cirurgias e procedimentos médicos. Embora ocorra um investimento, em contrapartida há o aumento do rendimento dos serviços e profissionais de saúde e maior assertividade, trazendo melhor resultado e economia de tempo e redução do custo final.

O intenso desenvolvimento de dispositivos e aplicativos desempenha papel importante na identificação e prevenção de muitas doenças.

A aplicação da realidade virtual nos tratamentos possui inúmeras utilidades, sobretudo no controle de dores e alguns transtornos. Estima-se que nos Estados Unidos essas tecnologias são tão inerentes ao cotidiano, que houve investimento de cerca de 5 bilhões de dólares. E a medida que evidencia-se melhoras no bem-estar dos pacientes, a adesão aos tratamentos aumenta.

A tendência de tecnologia aliada à saúde traz melhoria para toda a área, tornando qualificada a experiência do paciente, devido ao ganho de eficiência por parte dos serviços.

Do mesmo modo, a IA (Inteligência Artificial) é base do conceito dos dispositivos de realidade virtual e aumentada, caracterizada pela possibilidade de processamento de informações e fornecimento de dados para tomada de decisões de modo semelhante ao humano.

Exemplo clássico é a cirurgia com robôs, que traz avanços significativos para a medicina, vez que possibilita movimentos mais precisos e acesso direcionado ao corpo humano, tornando a intervenção do médico mais eficaz e eficiente. Vale ressaltar que, segundo dados, o Brasil ocupa o ranking dos países em que se realiza a maior quantidade de cirurgias robóticas da América Latina.

A tecnologia jamais irá substituir o papel do profissional de medicina e da saúde, mas deve ser vista como uma grande aliada, necessária à evolução sobretudo da medicina preventiva, que é consubstanciada na atuação mais precoce, direcionada na prevenção e não exclusivamente na cura.

Com isto, é possível até mesmo se prevenir e controlar epidemias, reduzir custos, diminuir fraudes, possibilitar maior controle de consumo de medicamentos, aumentar os resultados econômico-financeiros e humanizar o atendimento médico e de saúde, incrementando a eficiência da prestação de serviços.

*Juliana Hasse, advogada com MBA em gestão empresarial com ênfase em Saúde – Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, especializada em Direito Médico e Hospitalar (EPD – Escola Paulista de Direito), especialista em Direito da Saúde e de Dados em Saúde pela Faculdade de Direito de Coimbra, em Portugal, Conselheira da Asociación Latino-Americana de Derecho Medico, Capítulo Brasil-Asolademe, presidente da Comissão Especial de Direito Médico e da Saúde da OAB Estadual SP, presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB São José dos Campos

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