Tecnologia e conteúdo: qual o futuro dos eventos?

Tecnologia e conteúdo: qual o futuro dos eventos?

Pedro Góes*

30 de julho de 2020 | 14h57

Pedro Góes. Foto: Divulgação

O interesse em participar de eventos empresariais não deve cair até o final deste ano. De acordo com o último levantamento do Feiras do Brasil com o apoio da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC), 73% dos entrevistados confirmaram essa tendência mesmo com a situação do setor que, em dado momento, chegou a paralisar 98% das empresas que atuam nele.

O lado bom das crises é que elas proporcionam o surgimento de soluções que são capazes de atender necessidades, inclusive aquelas que nunca imaginaríamos que um dia seriam originadas.

Na evolução acelerada da indústria de eventos em razão da pandemia do novo Coronavírus, estão surgindo espaços dedicados à realização dos chamados eventos híbridos. Ou seja, aqueles acontecimentos em que há participação presencial e também virtual.

Não se trata apenas de uma tendência no ramo, mas também um indicativo de que há um desafio para quem quer produzi-los. Afinal, como engajar o público em eventos híbridos?

Nos eventos presenciais, que hoje são lembranças cada vez mais distantes, eram de grande importância os intervalos ou coffee breaks. Nestas ocasiões, os representantes de empresas começavam conexões com uma troca de cartões que, mais tarde, poderiam se tornar negócios.

Por esses momentos serem cruciais para muitas empresas, os produtores de eventos perceberam rapidamente que uma simples plataforma de videoconferência não era suficiente para entregar os resultados que eram esperados de qualquer ação.

Como público e palestrante podem interagir com eficiência? De que forma os patrocinadores conseguiriam fazer ativações de marca com os presentes sem a existência dos estandes?

Qual a melhor maneira de identificar um representante de uma organização que faz sentido uma aproximação? E o mais desafiador: como ter aquela conversa em reservado em ambiente virtual?

Mas há outra série de questões pertinentes. Uma frase pode ajudar na resposta de qualquer questionamento seja para evento presencial, online ou híbrido: tudo começa pelo conteúdo.

Recordam daqueles seminários de dois ou três dias com programações pelas manhãs e tardes?  Na configuração atual, eles são impraticáveis.

Se o conteúdo a ser partilhado for muito relevante para o público que se quer atingir, até admite-se vários dias de programação, mas é melhor tê-los com até quatro horas de duração diárias, quebradas em pequenas conferências. Afinal, a programação do evento está concorrendo com um universo que está em volta da casa de cada participante.

Entretanto, mesmo com um conteúdo muito bem proposto, de nada adianta ter caprichado nesta fase importante de um evento se não tiver uma boa ferramenta para transmiti-lo. Isso só é possível com o uso de hardware profissional e equipamentos profissionais adequados para transmissões em estúdio ou em casa.

Entre uma solução que apenas tem videoconferência em que as pessoas entram e saem sem os organizadores conseguirem informações úteis dos participantes; e uma ferramenta criada especialmente para esse fim em que se pode mapear oportunidades incríveis de geração de negócios e oportunidades de marketing, qual seria a sua escolha?

Quando envolve uma ação entre público, empresas e marcas patrocinadoras, investir em uma infraestrutura física e tecnológica não deveria ir em uma planilha de gastos de eventos, mas sim de investimentos. Pois há maiores chances de retornos concretos por meio de indicadores que só um software criado para tal fim consegue entregar.

É bom perguntar para qualquer profissional da área de eventos a respeito não apenas do sufoco, mas também quais são os aprendizados e novas oportunidades, ações e ideias que estão surgindo para contornar os desafios dessa transformação digital que chegou de surpresa no setor.

Pelo visto, novas características, dúvidas e desafios estão por vir. É possível apontar que, em um cenário de pós-pandemia, organizar eventos prestando especial atenção ao suporte virtual entrará no conceito de “novo normal” deste mercado.

*Pedro Góes, CEO da InEvent 

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