‘Taylor’, o doutrinador do PCC de Roraima

‘Taylor’, o doutrinador do PCC de Roraima

Diego Mendes de Andrade, o 'DG', ou 'Bruno', ou 'Taylor', é um dos 96 dirigentes da facção que detém a ferro e fogo o controle do sistema prisional no Estado, inclusive a Penitenciária Monte Cristo, onde na madrugada desta sexta-feira 31 prisioneiros conheceram o inferno

Fábio Serapião, Julia Affonso e Fausto Macedo

06 de janeiro de 2017 | 16h24

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Em denúncia criminal de 288 páginas levada à Justiça de Roraima promotores do Ministério Público acusaram 96 traficantes e assaltantes de integrarem a hierarquia do PCC no sistema prisional do Estado. Na denúncia, protocolada em 11 de novembro de 2014, os promotores listam os nomes e as ‘funções’ de cada um no crime organizado. Um deles é Diego Mendes de Andrade, o ‘DG’, ou ‘Bruno’, ou, ainda, ‘Taylor’. Segundo a Promotoria, ‘Taylor’ é o doutrinador do PCC, o homem que cuida das ‘diretrizes’ da célula do crime.

A ÍNTEGRA DA DENÚNCIA

Na ocasião em que foi denunciado com os outros 95, ‘Taylor’ estava custodiado em regime preventivo na Penitenciária Federal de Mato Grosso do Sul. “Integrante do PCC e ocupante da função de Geral do Estado”, assinala a acusação subscrita pelos promotores de Justiça Carlos Paixão de Oliveira, Hevandro Cerutti, José Rocha Neto, Marco Antônio Bordin Azeredo, Luiz Antônio Araújo de Souza e Carlos Alberto Melotto.

‘Geral do Estado’ é um dos patamares mais elevados da hierarquia do PCC, indica a Promotoria. Também chamada de ‘Torres’, a ‘Geral do Estado’ é um conselho formado por cinco bandidos, um deles o superior. “Estas pessoas exercem posição de liderança entre os membros da facção e estabelecem contatos com as demais ‘Gerais’ existentes em outros presídios e na rua. Dentre suas funções está a transmissão de informação e a criação de normativas e diretrizes de procedimentos, bem como o controle e a disciplina dos membros que se encontram presos e os que se encontram em liberdade”, assinala a denúncia.

A investigação mostra que ‘Taylor’ “batizou” os principais integrantes do PCC no Estado – a Promotoria lista 20 ‘apadrinhados’, entre ‘Neguinho’ ou ‘Poletão’, ‘Cirica’ ou ‘Siri’, “Frajola” ou “Bad”, “Pernalonga” ou “Sandrinho” ou “Sandro Bad”, “Vasco”, “Bebê”, “Cara de Bruxa” ou “Zé Abraão”, ‘Espanhol”, “Passarinho”,“Sarapó” ou “Sombra”, ‘Pacaraima’, “Bagaço”, “Fofão”, “Piriloco”, “Picolé”, “Ledera”, “Clandestino’, ‘Cão Danado’, ‘JR’ ou ‘Tatu’, ou ‘Cabelo’, ‘MD’ e ‘Pulguinha’.

A Promotoria diz que ‘Taylor’ é ‘referência no Estado’ para nove integrantes do PCC – ‘Mendigo’, ‘Puraquê’ ou ‘Guará’, ‘Sombra’ ou ‘Zequinha’, ‘Bad Boy’ ou ‘Gury’, ‘Dheizon’ ou ‘Famoso’, ‘Resgate’ ou ‘Bolacha’, ‘Diabão’ ou ‘Goiano’, ou ‘O Pensador’ ou ‘Primeiro Anjo’, ‘Macaco’ e ‘Magrelo’ ou ‘Eudes’ ou ‘Titela’.

Ele foi grampeado durante a investigaão. Os áudios revelam que ‘Taylor’ mantém ‘interlocução com os demais alvos integrantes sobre a estruturação do PCC no Estado e negocia a contratação de um advogado (‘gravata’)’.

“É atualmente um dos principais membros do PCC no Estado, após transferências de outros alvos para Cadeia Pública de Boa Vista em dezembro de 2013. Mantém diariamente contato com Ozélio de Oliveira, vulgo ‘Sumô’ ou ‘Sumor’, oportunidade em que recebe as diretrizes passadas pelo alto comando do PCC, tudo com o objetivo de expandir a organização criminosa em Roraima. É o responsável pelo aliciamento de novos integrantes, pela divulgação da doutrina do PCC, pela parte da disciplina e do ‘progresso’,operação de tráfico de drogas e roubos realizados para levantamento de recursos para organização criminosa”, sustenta a denúncia.

Em sua folha de antecedentes criminais, ‘Taylor’ ostenta condenação criminal por tráfico e associação ao tráfico de drogas, além de responder processo judicial por homicídio. Entre agosto de 2013 e setembro de 2014 ‘os denunciados associaram-se estruturalmente, dividindo suas tarefas, com o objetivo de obter vantagem mediante a prática reiterada de diversos crimes, tais como comércio ilegal de armas de fogo, tráfico de drogas, roubos, furtos, extorsão, lavagem de capitais e homicídios, mediante o emprego de armas de fogo e para o fim de praticar traficância de substâncias entorpecentes que causam dependência física e psíquica, sem autorização e em desacordo com a determinação legal e regulamentar’.

Todos os detalhes da estruturação dos quadros funcionais da facção em Roraima, suas lideranças e integrantes ‘batizados’ estão na denúncia do Ministério Público do Estado. “Verificou-se que os acusados, em sua maioria internos do sistema prisional, além de coordenar a prática de crimes em meio interno e externo, tais como tráfico de drogas, comércio ilegal de armas, homicídios, extorsão, furtos e roubos, estariam a ostentar posição de destaque na organização criminosa, cabendo-lhes a tomada de decisões acerca de assuntos de interesse da facção autodenominada Primeiro Comando da Maioria – PCC no Estado.”

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