Taxa de administração: a grande vilã dos fundos de investimentos?

Taxa de administração: a grande vilã dos fundos de investimentos?

Thamires Ferreira*

07 de janeiro de 2020 | 07h00

Thamires Ferreira, economista, especialista em previdência privada. Foto: Divulgação

Nos últimos meses, um assunto que estava quase esquecido pelos consumidores, entrou em pauta, gerando inúmeras discussões pela internet e até fazendo com que grandes bancos reduzissem as absurdas taxas de administração, que há anos são aplicadas em seus fundos de investimentos e de previdência privada. Mas a propósito, a taxa de administração é mesmo uma vilã dos investimentos?

Vamos partir do princípio, entendendo o que é esta taxa e como ela é cobrada. A taxa de administração é a remuneração das gestoras de investimentos por todo o trabalho de pesquisa, análise, alocação, balanceamento e rebalanceamento de recursos financeiros dos seus clientes. Essa taxa também cobre os gastos com a custódia, auditoria e demais despesas operacionais para manter o dinheiro aplicado. Ela é anual, já definida no regulamento do fundo, e diluída em pagamentos diários.

E por que aplicar em fundos, se podemos investir diretamente nos ativos? Em casos de fundos de investimentos, a grande vantagem é que se pode ter uma diversificação muito maior, com pouco capital investido. Outra vantagem é que o gestor se ocupa full time em acompanhar os seus investimentos, contando com uma equipe profissional de gestão capaz de criar estratégias, que seriam muito complexas para nós pessoas físicas.

Outro aspecto é que enquanto investidor profissional, o gestor do fundo tem acesso a investimentos que uma pessoa física não teria. Além disso, ele também pode ter acesso a informações exclusivas e taxas diferenciadas no mercado e poder de barganha, visto o volume no qual as gestoras operam. No caso da previdência privada, para se obter as vantagens fiscais que o produto oferece, somente investindo por meio dos fundos de previdência. Por exemplo, nenhum outro investimento pode proporcionar os mesmos benefícios obtidos com uma PGBL. Mesmo que esteja isento de imposto de renda.

Sendo assim, a taxa de administração não é por si só, uma grande vilã. Principalmente, considerando o fato de que toda a performance de todos os tipos de fundos – previdência privada e de investimentos – são divulgados, já com a dedução da taxa de administração. Ou seja, quando o gestor de um fundo de investimento libera o quadro de rentabilidade, por determinação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central, a rentabilidade auferida já é descontada a administração.

Então, considerando um fundo de renda fixa, que tenha como benchmark o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) – que é uma taxa que varia em torno da Selic (4,5% ao ano) –, com um rendimento a 105%, podemos avaliar que o mesmo rendeu líquido de taxa de administração 4,72% ao ano. Para fundos de renda fixa, são cobrados em média de 1% de taxa de administração, visto que este tipo de fundo não gera custos tão altos em sua gestão.

A grande discussão em volta deste tipo de taxa surge porque alguns bancos vinham praticando taxas de administração tão altas, que acabam por anular os ganhos dos clientes. Um exemplo é a cobrança de 5,5% ao ano, em um mesmo fundo de renda fixa, que poderia ser cobrado 1% ou menos de taxa de administração. Esta alta taxa fazia com que toda a rentabilidade dos investidores fosse anulada em prol de um maior lucro para os bancos. Como resultado, os investidores tiveram uma rentabilidade de 0,95% ao ano, ou seja, cerca de 15,65% do CDI.

Dessa forma, um fundo considerado bom, com uma taxa justa de administração, precisa entregar uma rentabilidade líquida ao menos acima do CDI (acima de 100%), ou seja, que supere os 4,5% ao ano, visto que esta é a taxa de juros oficial que temos hoje.

É importante salientar que cada fundo já tem determinada classe de ativos no qual irá alocar seus recursos – ações, ativos atrelados à inflação, renda fixa, e dentre outros –, e este parâmetro de comparação (benchmark) irá mudar conforme esta classe. Em caso de dúvidas, consulte o seu assessor de investimentos, pois ele é o profissional indicado e qualificado para lhe auxiliar na identificação dos melhores fundos, respeitando o seu perfil de investidor.

*Thamires Ferreira, economista, especialista em previdência privada e assessora de investimentos na Monteverde Investimentos

 

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