Tamanho único não cabe em todo mundo

Tamanho único não cabe em todo mundo

João Rogério Alves Filho*

03 de agosto de 2020 | 07h30

João Rogério Alves Filho. FOTO: DIVULGAÇÃO

Chegamos assim ao começo do fim do ano que nunca acabará. Em um trimestre, conseguimos nadar um terço dessa travessia que nos parecia impossível sobrevivermos por sequer 30 dias.

Mesmo as empresas inseridas em segmentos de atuação cujos indicadores apresentaram performance positiva nos últimos meses estão em esforço diário na busca de seu aprimoramento, não contando com o privilégio de um movimento inercial da atividade econômica para chegarem em 2021.

Ao longo das últimas décadas, as ondas de soluções envelopadas com nomes pomposos como ERPs, Downsizing, Re Engeneering, Gestão 360° e tantas mais soluções cheias de inteligência, foram compradas em pacotes fechados por empresas dos mais diversos portes e segmentos. Os resultados? A história fala por si.

Os momentos de grande atordoamento são aqueles mais favoráveis ao surgimento das panaceias de todos os males, os elixires milagrosos, as tendências que “vieram para ficar com o novo normal”, expressão já caduca com dois meses de vida.

Hoje, percebemos que algumas “verdades” começam a ser compradas de forma perigosamente generalista. O teletrabalho substituindo os escritórios. A plataforma digital substituindo o atendimento pessoal. A educação hiper especializada mais atraente ao mercado que aqueles profissionais que passaram por questões menos aplicáveis como Machado, Bach, Aristóteles ou Bresson.

Da mesma forma que cada organização ou indivíduo são únicos, a solução ao desafio apresentado não passará por verdades absolutas ou soluções compradas em prateleiras. Estar atento ao que é debatido ou projetado, uma vez filtrado, é apenas cenário a possivelmente ser testado cuidadosamente em cada organização, corrigindo-se rapidamente os desvios, cuidando-se, inclusive, de redobrar a atenção quando da implementação de ações de difícil ou onerosa reversibilidade.

A solução para cada empresa que almeja sobreviver a esse segundo semestre que se inaugura não virá pronta de um bom debate do YouTube ou artigo inteligente publicado em periódico respeitável, sendo certo que há muita coisa realmente boa nessas fontes a que temos acesso. O alcance da solução será muito mais trabalhoso ao entendermos que as experiências e sugestões lá apresentadas são apenas possíveis peças de um quebra-cabeças único – seu negócio – e não um belo quadro a ser comprado.

Entendendo assim, que tamanho único não cabe em todo mundo, quando começar? A resposta é, no mínimo três meses atrás. Ainda não começou? Corra que há de dar tempo.

*João Rogério Alves Filho é economista e sócio-diretor da PPK Consultoria

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