Tabata diz ao TSE que é alvo de ‘massacre’ e fake news de direção do PDT, que estaria agindo para vê-la ‘sangrar’

Tabata diz ao TSE que é alvo de ‘massacre’ e fake news de direção do PDT, que estaria agindo para vê-la ‘sangrar’

Deputada recorre ao Tribunal Superior Eleitoral com uma ação declaratória de justa causa para se desligar do partido, sem perder o cargo

Rafael Moraes Moura / BRASÍLIA

16 de outubro de 2019 | 23h32

Tabata Amaral. Foto: Gabriela Biló / Estadão

Brasília, 16/10/2019 – A deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) alegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que é alvo de “massacre” e “fake news” da direção do PDT, que estaria agindo para vê-la “sangrar” até ela pedir desfiliação da legenda. Sob a alegação de que sofre “grave discriminação política pessoal” e “perseguição”, tendo sido suspensa dos cargos de vice-presidente do Diretório Estadual de São Paulo e de vice-líder da Bancada do PDT na Câmara dos Deputados, a parlamentar recorreu ao TSE com uma ação declaratória de justa causa para se desligar do partido, sem perder o cargo.

O relator do caso no TSE é o ministro Sérgio Banhos.

A defesa da parlamentar alega que não restam dúvidas sobre a “notória discriminação”, já que a deputada se vê “vê abandonada” pelo PDT e ainda “impedida de praticar diversos atos” perante o Congresso Nacional e dentro do próprio partido, tendo sido suspensa do cargo de vice-presidente do Diretório Estadual de São Paulo e de vice-líder da Bancada do PDT na Câmara dos Deputados. A deputada também virou alvo de procedimento administrativo disciplinar.

De acordo com os advogados da parlamentar, Tabata “vem sofrendo grave discriminação” por ter votado a favor da Reforma da Previdência, o que lhe gerou críticas de dirigentes partidários da sigla.

“Esses ataques, que há muito ultrapassaram os limites das regras democráticas de convivência partidária, têm perpetrado graves ofensas à honra e dignidade da ora requerente, através dos mais diversos instrumentos de comunicação”, sustenta a defesa.

Honra

Entre os documentos utilizados pelos advogados de Tabata para confirmar a tese de que a parlamentar sofre “grave discriminação política pessoal” estão postagens nas redes sociais na página oficial do Diretório Nacional do PDT, com comentários do ex-candidato à Presidência da República Ciro Gomes para que o partido expulse os que votarem “contra o povo” e citações de uma suposta “compra de votos”, por parte do governo federal, para obter votos necessários à aprovação da Reforma da Previdência.

“Ao defender que o PDT expulse os que votarem ‘contra o povo’ na Reforma da Previdência, Ciro Gomes coloca todos os parlamentares divergentes na posição de ‘vendedores de voto’, o que, além de inverídico, atinge frontalmente a honra dos envolvidos”, sustenta a defesa de Tabata.

Os advogados da parlamentar também fazem referência a uma série de reportagens publicadas pela imprensa, entre elas uma entrevista concedida ao Estado pelo presidente do partido, Carlos Lupi, em julho deste ano.

“Eu fiz um apelo humilde pelo voto dela, para que seja contrário à reforma da Previdência”, afirmou Lupi ao Estado. “O governo tem um poder de convencimento que a gente não tem. Nós temos as palavras e eles têm emendas. Eles têm olhos azuis e nós, negros. Então, muita gente usa a Tabata para se proteger da decisão, alguns por convicção e outros por utilidade pública.”

Para a defesa de Tabata, as reportagens “são apenas exemplos do massacre que a deputada vem sofrendo por parte da Direção do PDT por ter votado favoravelmente à proposta da Comissão Especial da Câmara que analisou a Reforma da Previdência.”

A parlamentar ainda rebateu as declarações de que possuiria uma “dupla filiação” e de que teria votado a favor da reforma da Previdência por supostamente pertencer a um “grupo clandestino”, como acusou Lupi. O comentário foi uma referência ao movimento Acredito, integrado por Tabata, que incentiva a formação de novas lideranças políticas.

“Note-se que o próprio partido da requerente, através de seus principais porta-vozes, o presidente nacional Carlos Lupi e o vice-presidente Ciro Gomes, tem assumido a função de espalhar mentiras, verdadeiras fake news em face da Requerente, vinculando sua posição política à existência de uma organização clandestina e afirmando que esta Parlamentar possui vínculos com os interesses de grandes empresários, espalhando a mentirosa afirmação de que a requerente e o movimento Acredito atuariam sob supostos interesses do empresário Jorge Paulo Lemann”, sustenta.

Outro lado

Procurado pela reportagem para rebater as críticas de Tabata, o PDT não se manifestou.

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