‘Tá tudo ok’, e a WTorre, por R$ 18 milhões, sai da licitação bilionária

‘Tá tudo ok’, e a WTorre, por R$ 18 milhões, sai da licitação bilionária

Delator relata encontro com empresário Walter Torre sobre saída da concorrência do Centro de Pesquisas da Petrobrás, em 2007

Julia affonso, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Vitor Tavares

05 de julho de 2016 | 10h23

Walter Torre. Foto: Hélvio Romero/Estadão

Walter Torre. Foto: Hélvio Romero/Estadão

À Procuradoria da República, o empresário Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, relatou um encontro com o empresário Walter Torre Júnior, controlador da WTorre, em sua casa para confirmar a saída da empreiteira das obras do Cento de Pesquisas da Petrobrás, (Cenpes), no Rio. Os investigadores da Operação Lava Jato afirmam que a WTorre teria recebido R$ 18 milhões para desistir da licitação do Cenpes.

O juiz federal mandou a Polícia Federal conduzir coercitivamente Walter Torre na Operação Abismo, 31ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda feira, 1.

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A Petrobrás, em 2007, submeteu à licitação três grandes obras, entre elas, o Cenpes. A OAS, a Carioca Engenharia, a Construbase Engenharia, a Schahin Engenharia e a Construcap CCPS Engenharia, integrantes do Consórcio Novo Cenpes, ficaram com a obra do Centro.

Segundo a investigação, houve ‘um imprevisto’ na licitação do Cenpes, pois a WTorre, que não havia participado dos ajustes, apresentou proposta de preço inferior em cerca de R$ 40 milhões a menos. As empresas que formavam o Consórcio Novo Cenpes teriam acertado, então, propina de R$ 18 milhões para que a WTorre abandonasse o certame, permitindo que o Consórcio renegociasse o preço com a Petrobras. Concretizado o acerto, o Consórcio Novo Cenpes celebrou, em 21 de janeiro de 2008, contrato com a Petrobras no valor de R$ 849.981.400,13.

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O Ministério Público Federal questionou Ricardo Pernambuco Júnior sobre quem teria procurado Walter Torre para discutir a licitação do Cenpes.

“Foram feitas essas negociações, na qual em algum momento o Léo (Pinheiro, da OAS) passou a ter uma relação direta com o Walter Torre. Teve inclusive um último encontro num domingo, que, é tanto tempo, eu não sei por qual motivo eu não pude ir a este encontro. Mas que o Léo, depois, por mensagem, me comunicou que estava tudo sacramentado com a Walter Torre. Não disse assim, mas disse: ‘Vocês me fizeram trabalhar num domingo. Tá tudo Ok”, relatou Pernambuco Júnior.

Pernambuco Júnior prosseguiu. “Resolvido. Mas, como o Walter Torre conhecia a mim deste consórcio anterior, o Walter Torre foi à minha casa. Eu tô tentando. É muito difícil dizer a data, mas eu me lembro que eu tava indo pro exterior, a trabalho. Então, ele foi à minha casa, eu moro no Brooklin, em São Paulo, entrou pela garagem e tudo, foi à minha casa e foi só pra dizer que teve a conversa e pra dizer: “tá tudo ok?”. Eu disse ‘tá tudo ok. O que você combinou com o Léo nós vamos cumprir, o consórcio como um todo.”

COM A PALAVRA, A WTORRE

“A empresa não teve participação na obra de expansão do Centro de Pesquisas da Petrobras; que não recebeu ou pagou a agente público ou privado nenhum valor referente a esta ou a qualquer outra obra pública.

O Grupo WTorre forneceu a documentação referente ao orçamento desta licitação que ainda se encontrava na empresa e segue à disposição das autoridades.

Por fim, esclarecemos que o empresário Walter Torre Júnior, encontra-se em férias, fora do Brasil e que, portanto, não foi conduzido à sede da Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (4)

Diretoria de Comunicação da WTorre S/A”

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