Sustentabilidade: palavra de ordem antes, durante e no pós-pandemia

Sustentabilidade: palavra de ordem antes, durante e no pós-pandemia

Maria Claudia Buarraj El Khouri*

21 de dezembro de 2020 | 08h30

Maria Claudia Buarraj El Khouri. FOTO: DIVULGAÇÃO

Ao ouvir a palavra “sustentabilidade”, a primeira ligação – e muitas vezes a única – que vem à cabeça é com algo relacionado ao meio ambiente. Mas o termo, assim como sua grafia extensa, tem abrangência ampla e é sustentada por mais dois pilares além do ambiental: o social e o econômico.

O conceito de desenvolvimento sustentável foi expresso pela primeira vez em 1980 pela World Conservation Union, organização internacional dedicada à conservação dos recursos naturais, fundada em 1948, com sede na cidade de Gland, Suíça. Em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – a Eco-92, o desenvolvimento sustentável foi definido como “o que atende às necessidades das gerações presentes sem comprometer a possibilidade das gerações futuras de atenderem às suas próprias necessidades”. Diante disso, a sustentabilidade, então, não está atrelada só ao meio ambiente, pois de nada vale salvar o planeta Terra se a sociedade continuar convivendo com os grandes problemas econômicos e sociais, como pobreza, violência, racismo, homofobia, desigualdade de gênero, entre outros entraves.

Na pandemia, esses problemas ficaram muito mais evidentes. A economia, que aqui em nosso país já era fragilizada, ficou extremamente delicada. Milhares de pessoas perderam seus empregos, a renda mínima para sobreviver, e tem sido a união de esforços, um mutirão de solidariedade que têm ajudado muita gente a passar por todo esse caos. A Covid-19 impactou, na saúde, no social, no econômico e profissional, ricos, pobres, pessoas de todas as etnias e credos, enfatizando: somos todos iguais.

Estamos sentindo, da maneira mais dura, a importância de se trabalhar a sustentabilidade em todos os seus pilares. No âmbito empresarial, por exemplo, que envolve tantas pessoas – de trabalhadores a consumidores ­–, a sustentabilidade é muito vinculada a ações ambientais. Porém, não basta que a empresa tenha produtos e serviços amigos do meio ambiente, denominando-se sustentável, se as relações de trabalho e produção não são rentáveis para todos que fazem parte dos processos. Não adianta ser ecoeficiente e manter fortes desigualdades de gênero. É fundamental exercer a sustentabilidade em todo o seu teor e, mais do que promovê-la nas vertentes ambientais, econômicas e sociais, transmitir a sua importância, no sentido mais amplo, além de capacitar também os colaboradores de modo que todos se tornem multiplicadores de informações e orientações que transformem o meio em que vivemos.

A pandemia nos mostrou que nada mais será como antes e apontou os caminhos que devemos seguir para ter a vida que queremos. E, para isso, a sustentabilidade é um item essencial, dentro das empresas, das casas e da vida das pessoas.

*Maria Claudia Buarraj El Khouri é gerente de Sustentabilidade do Grupo Graiche

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