Sustentabilidade como meta de negócios

Sustentabilidade como meta de negócios

Eduardo Galeskas*

20 de agosto de 2020 | 05h00

Eduardo Galeskas. FOTO: DIVULGAÇÃO

Nos últimos anos, temas sociais e ambientais têm estado à luz dos holofotes no Brasil e no mundo. Isso aumentou a cobrança de investidores e da sociedade para que empresas se preocupem mais do que com suas finanças, prevendo e incorporando aos seus negócios fatores relacionados à sustentabilidade – que, dentro das organizações, compreende assuntos ambientais, questões sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês). A união da estratégia das empresas aos fatores ESG permite entregar mais valor aos acionistas e demais stakeholders.

Ao avaliar o desempenho das empresas de acordo com novos parâmetros sustentáveis, o conceito ESG fornece informações sobre como elas conduzem suas operações, oferecendo a seus investidores maior controle sobre a tomada de decisão e garantindo a sustentabilidade de seu investimento a longo prazo. Entretanto, para que investidores compreendam os avanços de organizações e setores nesta área, é necessário atualizar técnicas de reporte e adotar importantes indicadores que ajudam a traduzir os resultados alcançados para uma linguagem usual, comum às demais empresas e ao público em geral.

Nesse sentido, metodologias como as desenvolvidas pela Global Reporting Initiative (GRI) e pelo Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3 têm se destacado entre os investidores. A GRI posiciona-se como uma das mais importantes organizações internacionais dedicadas ao desenvolvimento de padrões de relatórios de sustentabilidade e está focada em mensurar e auxiliar as empresas na comunicação do impacto de suas operações em questões críticas de sustentabilidade. Recentemente, a GRI trouxe ao Brasil o primeiro conselho consultivo, o qual teve como principal foco a discussão de ESG, trabalhando sobre a qualidade das informações.

Com o objetivo de apoiar os investidores na tomada de decisão de investimentos socialmente responsáveis e induzir as empresas a adotarem as melhores práticas de sustentabilidade empresarial, o ISE é pioneiro na América Latina e avalia a performance das empresas listadas. O índice tem crescido constantemente desde sua criação e, em 2019, bateu seu recorde de interesse por parte das empresas que desejam ingressar na carteira.

Além de contribuir para a sociedade em geral, os números comprovam que investir em sustentabilidade traz resultados consistentes no mercado de ações. Como exemplo da força do ISE, desde 2005, o ISE B3 subiu 267,89% contra uma alta de 167,96% do Ibovespa. A volatilidade da carteira também é menor: 24,07% do ISE contra 26,73% do Ibovespa (considerando de 2005 até maio de 2020).

A pandemia que vivemos mostra que a agenda sustentável assume seu papel como o “novo normal”. Investimentos e empresas que antevejam retornos ambientais, sociais ou de governança conseguirão se conectar com seus clientes e investidores, se adaptar de maneira objetiva às novas demandas da sociedade, ganharão cada vez mais espaço e com menos impactos negativos em seu desempenho financeiro e relações comerciais.

*Eduardo Galeskas, gerente de Risk Advisory e especialista em Sustentabilidade da Deloitte

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