Supremo põe Lava Jato outra vez nas ruas e mira pessoas ligadas a Eunício, Renan, Humberto Costa e Raupp

Supremo põe Lava Jato outra vez nas ruas e mira pessoas ligadas a Eunício, Renan, Humberto Costa e Raupp

Operação Satélites cumpre 14 mandados em 13 endereços nas cidades de Brasília/DF, Maceió/AL, Recife/PE, Rio de Janeiro/RJ e Salvador/BA; objetivo é investigar indícios dos crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro

Fausto Macedo, Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho, Fabio Serapião e Fabio Fabrini

21 Março 2017 | 07h39

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República cumprem nesta terça-feira, 21, mandados de buscas e apreensões de alvos em Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e Brasília na Operação Satélites, nova etapa da Lava Jato. O Supremo Tribunal Federal autorizou esta nova fase da Lava Jato.

Os alvos desta etapa não são políticos, mas pessoas ligadas aos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Humberto Costa (PT-PE), Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

Estão sendo cumpridos 14 mandados em 13 endereços nas cidades de Brasília (2 mandados), Maceió (2), Recife (5), Rio de Janeiro (3) e Salvador (2). O objetivo é investigar indícios dos crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

A PF cumpriu mandado na Confederal, empresa de vigilância e Transporte de Valores, ligada ao presidente do Senado Eunício Oliveira.

Em Pernambuco, dois alvos são Mário Barbosa Beltrão, empresário ligado ao senador Humberto Costa, e Sofia Beltrão.

Em nota, a PF informou que esta é a primeira vez em que são utilizadas informações dos acordos de colaboração premiada firmados com executivos e ex-executivos da Odebrecht. Os acordos foram homologados pela Corte máxima em janeiro deste ano.

Trata-se da 7ª fase da Operação Lava Jato que apura o envolvimento de pessoas com prerrogativa de foro junto ao Supremo Tribunal Federal. Outras três foram realizadas em 2015, duas em 2016 e uma em fevereiro deste ano.

Mário Beltrão foi citado na delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, em 2014. Segundo o delator, Humberto Costa recebeu R$ 1 milhão do esquema de propinas e corrupção na Petrobrás para sua campanha em 2010. O ex-diretor da estatal disse que o dinheiro foi solicitado pelo empresário Mário Barbosa Beltrão, amigo de infância do petista e presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (Assimpra).

Segundo a PF, o nome Satélites ‘faz referência ao fato de que os principais alvos da operação de hoje gravitam em torno de pessoas com prerrogativa de foro’.

VEJA IMAGENS DA OPERAÇÃO EM PERNAMBUCO:

O executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho, delator da Operação Lava Jato, disse à Procuradoria-Geral da República (PGR) ter pago suborno a Eunício, em duas parcelas de R$ 1 milhão cada, entre outubro de 2013 e janeiro de 2014. O valor seria contrapartida à aprovação da medida provisória 613, que tratava de incentivos tributários. Segundo o colaborador, o peemedebista enviou Ricardo Lopes Augusto, seu sobrinho é administrador da Confederal, como “preposto”. Ao emissário, teria sido entregue uma senha e a indicação dos locais para o recebimento do dinheiro, em Brasília e São Paulo.

O sistema Drousys, que registra a contabilidade das propinas da empreiteira, apontou os dois supostos repasses de R$ 1 milhão ao senador, identificado pelo codinome “Índio”, naquele período: um em 24 de outubro de 2013 e outro em 27 de janeiro de 2014. A MP foi aprovada no plenário do Senado em 29 de agosto daquele ano. Melo Filho sustenta em sua delação que Eunício obstruiu a votação, antes disso, para pressionar a Odebrecht por propina.

O senador também é citado em outra delação, fechada pelo ex-diretor da Hypermarcas Nelson Mello. Em depoimentos à PGR, ele contou ter pago, por meio de contratos fictícios, R$ 5 milhões em caixa 2 para a campanha do peemedebista ao Governo do Ceará, em 2014. Relatou também que a ajuda financeira foi solicitada por um sobrinho do congressista, de nome Ricardo.

Eunício sustenta que jamais recebeu dinheiro pela aprovação de projetos. A defesa dele alega que as despesas de campanha foram declaradas e foram legais.

COM A PALAVRA, RENAN CALHEIROS

A assessoria de Renan informou que ninguém que trabalha com o senador em Brasília ou em Alagoas é alvo da operação hoje.

COM A PALAVRA, EUNÍCIO OLIVEIRA

Em nota divulgada nesta manhã, o advogado do presidente do Senado Eunício Oliveira (PMDB) que “o senador tem a convicção que a verdade dos fatos prevalecerá”, em relação a nova fase da Lava Jato no STF que faz buscas em endereços de pessoas ligadas ao peemedebista. O texto assinado pelo criminalista Aristides Junqueira afirma ainda que o parlamentar “autorizou que fossem solicitadas doações, na forma da lei, à sua campanha ao governo do Estado do Ceará”, em 2014.

O texto afirma ainda que a abertura de inquéritos contra o senador no Supremo Tribunal Federal para apurar “versões de delatores” é o caminho natural do rito processual. A Polícia Federal realiza nesta manhã a primeira operação autorizada pelo STF com base em informações das delações premiadas de executivos da Odebrecht.

COM A PALAVRA, HUMBERTO COSTA

“Humberto Costa (PT-PE), esclarece que a Polícia Federal já solicitou o arquivamento do inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) por não encontrar qualquer evidência de irregularidade ao longo de dois anos de extensa investigação. O senador está certo de que a ação de hoje vai corroborar a apuração realizada até agora, que aponta para o teor infundado da acusação e da inexistência de qualquer elemento que desabone a sua vida pública.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE VALDIR RAUPP:

A defesa do senador Valdir Raupp representada pelo advogado Daniel Gerber diz que: “As afirmações contra o senador Valdir Raupp são fantasiosas, e tal fato será demonstrado no curso da investigação” conclui Gerber.

COM A PALAVRA, A CONFEDERAL:

Em nota, a Confederal confirmou as buscas em sua sede. A empresa alegou que colabora com a Justiça para “esclarecer versões sobre fatos difundidos pela imprensa”. “Temos certeza de que a verdade prevalecerá sobre as ilações”, acrescentou.

Mais conteúdo sobre:

operação Lava JatoSTFOdebrecht