Supremo nega habeas a lobista da Lava Jato

Supremo nega habeas a lobista da Lava Jato

Adir Assad, preso desde março no Paraná, é acusado por formação de quadrilha e intermediação de propinas em obras da Petrobrás

Gustavo Aguiar e Daniel Galvão

09 Outubro 2015 | 21h31

O ministro e relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, negou nesta sexta-feira, 9, um pedido liminar (urgente) de liberdade provisória do empresário Adir Assad. O lobista está preso desde março no Paraná “para garantir a ordem pública”, segundo o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, com jurisdição em Curitiba, base da missão Lava Jato. Adir Assad é acusado de formação de quadrilha e por usar as próprias empresas para firmar contratos de fachada com empreiteiras e intermediar o pagamento de propinas em obras da Petrobras.

De acordo com a defesa do lobista, o habeas corpus deveria ser concedido porque os crimes pelos quais é acusado foram cometidos há mais de três anos, o que invalidaria a necessidade da prisão preventiva. A defesa argumenta também que Assad desconhece os demais investigados pela operação da Polícia Federal, “inclusive os integrantes da suposta quadrilha de que foi acusado de formar”.

Assad durante depoimento à CPI do Cachoeira. Foto: André Dusek/AE -  28/08/12

Assad durante depoimento à CPI do Cachoeira. Foto: André Dusek/AE – 28/08/12

Teori rebate a defesa do lobista e diz que crimes de corrupção de qualquer natureza justificam a decretação da prisão preventiva de qualquer natureza. Na decisão, o ministro anexa informações obtidas pelo Ministério Público Federal (MPF) que demonstram o envolvimento do empresário no esquema de corrupção da Petrobras.

Cinco empresas ligadas a Assad receberam R$ 1,2 bilhão oriundos de propinas da petroleira, segundo investigações da Polícia Federal. Em três delas, o empresário figura como sócio e admite participação no esquema; mas, nas outras duas, ele nega envolvimento. A força-tarefa da Lava Jato suspeita, no entanto, que era ele quem controlava a movimentação do dinheiro sujo.

Assad mantinha empresas nas áreas de engenharia e marketing — uma delas trouxe ao Brasil shows como o da cantora americana Beyoncé e da banda irlandesa U2.

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