‘O Supremo é um local onde a gente pode morrer de susto’, diz Cármen após virar relatora de pedido para investigar ministro da Educação

‘O Supremo é um local onde a gente pode morrer de susto’, diz Cármen após virar relatora de pedido para investigar ministro da Educação

Ministra do Supremo Tribunal Federal recebeu representações da PGR e de parlamentares para abrir inquérito sobre gabinete paralelo no MEC

Rayssa Motta e Fausto Macedo

24 de março de 2022 | 18h34

Após ter sido definida relatora dos pedidos para investigar o ministro da Educação, Milton Ribeiro, pelo loteamento da pasta a líderes evangélicos, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que não se morre de tédio na Corte.

“O Supremo Tribunal Federal é um local onde a gente pode morrer de susto, de tédio não há o menor perigo. A cada momento que eu saio, alguém diz que algo mais grave aconteceu. Mesmo hoje, houve uma distribuição que me demanda, antes da sessão das 14h, que eu tenha algum estudo específico e, pelo menos, mais umas duas providências a serem tomadas”, afirmou no XI Congresso Consad de Gestão Pública, realizado na manhã desta quinta-feira, 24, em Brasília, em parceria com o Centro de Liderança Pública (CLP).

A ministra participou de um painel sobre protagonismo feminino no serviço público ao lado da prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), da secretária de Fomento, Planejamento e Parcerias do Ministério da Infraestrutura Natália Marcassa e da deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF).

Cármen Lúcia é relatora de pedidos para investigar o gabinete paralelo no MEC. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Sem sinalizar o caso teria que precisaria analisar, Cármen Lúcia se desculpou e deixou o evento antes do encerramento. Ela ainda vai decidir se autoriza a abertura de um inquérito sobre o gabinete paralelo no Ministério da Educação (MEC).

Como mostrou o Estadãopastores influenciam a agenda e as verbas da pasta e chegaram a pedir pagamentos em dinheiro e até em ouro em troca da liberação de recursos para construção de escolas e creches.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, que tem a atribuição de investigar o ministro em razão do foro por prerrogativa de função, acionou o STF pedindo um inquérito não só contra Milton Ribeiro, mas também contra pastores, servidores e prefeitos envolvidos no esquema. O PGR disse ver indícios dos crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, prevaricação e advocacia administrativa. Na prática, quando o Ministério Público Federal (MPF) solicita uma investigação, é de praxe que os ministros deem sinal verde para a instauração da apuração.

Há ainda pelo menos outras três representações enviadas por deputados e senadores ao STF, que devem ser unificadas ao pedido principal e também estão sob relatoria de Cármen Lúcia.

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