Supremo manda investigar Antônio Palocci

Supremo manda investigar Antônio Palocci

Ex-ministro chefe da Casa Civil do governo Lula teria solicitado R$ 2 milhões para campanha de Dilma em 2010, segundo delator

Redação

06 de março de 2015 | 23h24

Por Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou para a Justiça Federal no Paraná, base da Operação Lava Jato, representação do procurador geral da República, Rodrigo Janot, para investigação sobre o ex-ministro chefe da Casa Civil do governo Lula, Antonio Palocci. Como não detém foro privilegiado, Palocci fica sujeito à investigação da Polícia Federal no Paraná, base da Lava Jato.

A ordem de investigação á amparada no depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Lava Jato. Ele disse que conheceu Palocci em 2004. Na ocasião, Palocci era membro do Conselho de Administração da Petrobrás. Dilma presidia o Conselho de Administração da estatal e ocupava o cargo de ministra das Minas e Energia.

“Que esteve em várias reuniões com Antonio Palocci pois este era membro do Conselho de Administração da Petrobrás e também ministro da Fazenda”, disse Paulo Roberto Costa em sua delação. “Que no ano de 2010, acredita que quando Antonio Palocci já não ocupava nenhum cargo no governo federal, recebeu uma solicitação, por meio de Alberto Youssef para que fossem liberados R$ 2 milhões do caixa do PP, para a campanha presidencial de Dilma Rousseff.”

Antônio Palocci. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Antônio Palocci. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-diretor de Abastecimento da estatal, que cumpre prisão domiciliar, disse que “autorizou referida entrega (do valor), sendo que Youssef operacionalizou o pagamento e confirmou ao declarante posteriormente”.

“Youssef não esclareceu ao declarante se o pedido deste valor foi feito pessoalmente por Palocci ou se por meio de algum assessor deste, apenas mencionou que era um pedido vindo de Antonio Palocci”, acrescentou Costa.

O delator afirmou que os R$ 2 milhões sairiam da cota de 1% do PP sobre os contratos da diretoria. Em depoimento à força tarefa da Procuradoria-Geral da República, Youssef negou “categoricamente” que tivesse solicitado o dinheiro para a campanha presidencial de Dilma, em 2010. “Esta afirmação não é verdadeira”, disse o doleiro.

Rodrigo Janot, o chefe do Ministério Públco, “diante de tudo que foi exposto”, requereu a remessa do expediente à 13.ª Vara Federal de Curitiba, onde estão sendo conduzidas todas as investigações da Lava Jato sobre envolvidos que não detêm foro privilegiado.

Janot quer que seja apurada “em mais detalhes a conduta eventualmente praticada por Antônio Palocci”. O criminalista José Roberto Batochio, que representa Palocci, preferiu não se manifestar. Ele destacou que “não tem conhecimento” do teor da decisão do ministro Teori Zavascki, do STF.

 

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