Suíça vê rastro de US$ 13,7 mi da Odebrecht para ex-diretores da Petrobrás

Suíça vê rastro de US$ 13,7 mi da Odebrecht para ex-diretores da Petrobrás

Documentos bancários enviados por Genebra apontam também propinas de 1,9 milhão de francos suíços em contas de Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Pedro Barusco

Redação

24 de julho de 2015 | 14h30

Da esquerda para a direita: Renato Duque, Paulo Roberto Costa e Jorge Zelada, ex-diretores da Petrobrás

Da esquerda para a direita: Renato Duque, Paulo Roberto Costa e Jorge Zelada, ex-diretores da Petrobrás

Atualizada às 23h24

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

Documentos enviados pela Suíça ao Ministério Público Federal brasileiro apontam pagamentos de US$ 13,7 milhões do Grupo Odebrecht, investigado na Operação Lava Jato, aos ex-diretores da Petrobrás Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Renato Duque (Serviços), Pedro Barusco (Gerência de Engenharia), Jorge Zelada (Internacional) e Nestor Cerveró (Internacional).

O primeiro dado com base nos documentos suíços indicava repasses da ordem de US$ 10,95 milhões. Mas, após a conferência completa dos extratos de contas de offshores utilizadas no esquema de corrupção, o Ministério Público constatou valores mais elevados, de US$ 13,7 milhões e mais 1,9 milhão de francos suíços

Segundo as autoridades suíças, os valores passaram por contas mantidas naquele país europeu de titularidade de Smith & Nash Engineering CO. INC., Arçadex CORP., Havinsur S/A, Golac Project And Construction CORP., Rodira Holdings LTD. e Sherkson, todas supostamente vinculadas à maior empreiteira do País.

“Também é possível vislumbrar que parte dos pagamentos transita por contas intermediárias mantidas em outros países, como as contas de titularidade de Del Sur (Panamá), Klienfeld (Antígua e Barbuda), Innovation (Antígua e Barbuda) e AR.Cadex (Áustria)”, afirma a Procuradoria da República em documento enviado ao juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato.

O documento do MPF mostra que cada uma das contas recebia recursos direta ou indiretamente da Odebrecht. Delas, havia saída de recursos para contas ligadas aos ex-funcionários da estatal petrolífera. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Lava Jato, está em prisão domiciliar. O ex-diretor de Serviços, área estratégica na estatal petrolífera, Renato Duque e os ex-diretores da área Internacional da companhia Nestor Cerveró e Jorge Zelada estão presos em Curitiba, base das investigações da Lava Jato.

“A partir da documentação recebida por meio de cooperação internacional, das contas Smith & Nash, Arcadex, Havinsur, Golac e Sherkson, todas vinculadas à Construtora Norberto Odebrecht, foi possível identificar relacionamentos com várias offshores, inclusive relacionamento financeiro diretamente com pessoas investigadas na Operação Lava Jato, como Paulo Roberto Costa e Renato de Souza Duque”, afirma o MPF.

Ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco guardou prova envolvendo a Odebrecht. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Pela Smith & Nash, apurou-se as entradas e de saídas de recursos da conta, entre 2006 e 2011. Em dólar, houve entrada de US$ 45.404.373,84 e saída de US$ 15.234.200,00. Houve saída também de recursos em Francos Suíços no total de CHF 1.925.100,00 para Sagar Holding S.A.

“Em relação às saídas de recursos da conta Smith & Nash identificadas na documentação, ressalta-se como beneficiários as contas das offshores Constructora Internacional Del Sur SA, Klienfeld Services INC e Sagar Holding S.A. (de Paulo Roberto Costa)”, aponta o MPF.

Na conta Havinsur S.A., segundo a Procuradoria, há demonstrativo de operação de débito, realizada em 25/3/2010 no valor de US$ 565 mil para a Milzart Overseas Holdings INC, de Renato Duque.

arcadex

Foram levantados também os valores de entradas e de saídas de recursos, em 2009, da conta Arcadex Corp. Chegou-se ao montante de US$ 25.251.444,42 (entrada) e USD 2.053.672,68 (saída). Ocorreu, ainda, saída de recursos em Euro no total de EUR 63.684,09 para Tudor Advisory INC, ligada a Jorge Zelada.

A Procuradoria também identificou ‘outros relacionamentos entre os beneficiários das contas em questão e operações bancárias identificadas na análise das contas no exterior de outros, investigados na operação Lava Jato, como aquelas contas localizadas nos outros países além da Suíça’. A Constructora Internacional Del Sur, apontada pelos investigadores como pagadora de propina ao esquema de corrupção, recebeu US$ 8.368.700,00 da Smith & Nash, entre 2007 e 2010, e US$ 38.867.071,00, da Golac Projects, entre 2008 e 2010, ambas vinculadas à Construtora Norberto Odebrecht.

“A Constructora Internacional Del Sur repassou US$ 3.014.127,00, em 2009, para as offshores vinculadas aos ex-diretores e gerente da Petrobrás, Milzart Overseas (Renato Duque), Quinus Services (Paulo Roberto Costa) e Pexo Corporation (Pedro Barusco)”, afirma a Procuradoria.

De acordo com o documento, a offshore Klienfeld Services recebeu US$ 3.403.000,00 dá Smith & Nash, entre 2008 e 2010, US$ 82.696.500,00 , da Sjerkson Internacional, entre 2012 e 2014, e USD 31.200.000,00 da Golac Projects, entre 2008 e 2009. Todas vinculadas à Odebrecht.

“A Klienfeld Services também é identificada como repassadora de US$ 2.618.171,87, entre 2007 e 2010, para as offshores vinculadas aos ex-diretores e gerente da Petrobrás, Milzart Overseas (Renato Duque), Quinus Services (Paulo Roberto Costa) e Pexo Corporation (Pedro Barusco)”, aponta o documento.

A offshore Arcadex Corp, da Suíça, repassou US$ 2.053.672,68 para conta homônima para uma conta na Áustria. ‘Coincidentemente’, afirma o MPF, uma conta Arcadex Corporation, existente na Áustria, remeteu USD 434.980,00 para a conta Milzart Overseas de Renato Duque.

A offshore Innovation Research Engineering And Development recebeu USD 3.398.100,00, em Antígua e Barbuda, da Golac Projects, vinculada à Odebrecht, em 2010. “Essa mesma offshore Innovation, repassou US$ 286.311,17 para a Pexo Corporation (de Pedro Barusco), em 2009, e US$ 4.005.800,00 para a Sygnus Assets (de Paulo Roberto Costa), em 2011.”

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